quarta-feira, 12 de outubro de 2005

Uma reflexão sobre o OU e o E. OU=E

Ou isto ou aquilo - Cecília Meireles.
Ou se tem chuva ou não se tem sol,
ou se tem sol ou não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
Quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!
Ou guardo dinheiro e não compro doce,
ou compro doce e não guardo dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.


O que você vê nessas imagens??

Uma moça de costas OU uma senhora velha?

Bem, acho que os adeptos da ciência positivista vão querer me degolar, crucificar pelo que vou dizer.Mas conclui que a resposta para uma das minhas contradições não foi anular uma das proposições que se contrapunha a outra. Foi somá-las.
É um longo pensamento que vou descrever... quer dizer, é longo E não é. (Rs)
Como assim?? OU é longo OU é curto.
Não!
Eu vou explicar... acompanhe!
A minha contradição partiu de duas idéias na minha mente.

Dois et's OU uma bailarina?


A primeira é a que eu me questiono se eu escrevo para mim, se tudo isso aqui é mais um monólogo do que um diálogo, um solilóquio. OU se escrevo para que os outros leiam. E porque quero que outros leiam o que eu escrevo? Duas respostas: para que percebam que eu tenho conteúdo (minha auto-afirmação) e para que aprendam comigo, se aproveitem das minhas idéias (minha generosidade ao mundo). Nas duas proposições vejo egocentrismo, o mundo funcionando em meu favor, embora escrever para mim pareça mais egocêntrico do que escrever para outros. (mas é para outros em função da minha auto-afirmação e minha generosidade).


Rostos OU cavalheiros?


Mas retomando o meu raciocínio...

O que eu queria enfatizar é a questão de pensar OU uma coisa OU outra.
A segunda idéia que tenho é que OU a vida existe pra você OU você existe para a vida.
Isso me veio daquela frase: “Não espere nada da vida. É a vida que espera de você”.
Mas não vou me aprofundar a explicar sobre essa frase.
Tenham ela em mãos, assim como eu a tenho na cabeça.

Então a contradição é que se eu acredito que a vida existe para mim eu não poderia acreditar no contrário, que sou eu que existo para a vida.
A vida faz de mim instrumento para ela ou eu que faço da vida um instrumento para mim?

Vou explicar melhor.



Uma janela OU uma mulher?


Acredito que tenho que me superar constantemente, ultrapassar meus limites e estar progredindo. Esse seria o objetivo de viver. Assim, a vida é um artifício para eu conseguir isso. A vida é meu instrumento. E no fundo,o que importa é pensar em mim.

Ao mesmo tempo, sinto-me compelida a fazer algo pela humanidade, para que ela cresça. Fazer pelos outros e não por mim. Esquecer de mim. A vida espera algo de mim. Tenho que fazer algo e não ser egocêntrica porque o mundo não gira ao meu redor.


Um esquimó OU um rosto?


Mas parece que uma coisa anula a outra. Um paradoxo.
Penso em mim, ou esqueço de mim??
Ou eu caminho pensando em progredir, tenho essa concepção de que é isso que importa, meus avanços, é isso que vai contar quando eu morrer, ou o que importa não é nada disso,
é esquecer de mim e pensar no todo, na própria vida em si,
que seria a única coisa importante.
Talvez seja difícil eu pôr em palavras essa ultima proposição.
Mas está clara para mim e não posso me estender a falar mais dela porque tenho que encerrar meu raciocínio, e por isso sigo adiante.

Será que tem alguém lendo isso ainda??


Uma caveira OU moças em uma mesa?


O que quero dizer é que consegui sair da angústia dessa contradição!
O OU pode ser E, soma, duas coisas e não uma.
Entendi que escrevo pra mim. Mas para os outros também.
Que vivo para mim. Mas para o mundo também.
Não preciso necessariamente anular uma das proposições para o meu pensamento estar correto.
Estamos acostumados com isso. Com aulas de lógica, que nos faz pensar de um modo que OU é isso, OU é aquilo.

Lembro de aulas de física, na qual me surgiu uma vez a questão: Ou eu vou para a praia, ou não vou. Não posso ir mais ou menos a praia. Não posso estar em dois lugares ao mesmo tempo. Estar lá e aqui.

Ora ora ora... isso é verdade sim, mas fisicamente, dentro da realidade física.
Racionalmente, é a maneira que muitas pessoas pensam. Resolver problemas pela exclusão é o que muitos fazem. Se não é uma coisa, então é outra.

Espera ai! Vamos relativizar as coisas!


Uma taça, OU dois senhores OU cantores??



A algumas horas antes de escrever tive como certeza apenas duas coisas. Uma é a morte do corpo físico, e a outra é que não se pode estar em dois lugares. Errado essa ultima! Duas pessoas não ocupam o mesmo lugar no espaço, mas podem estar em dois lugares. Com uma pé na fronteira de uma cidade e o outro pé na outra fronteira, se está em duas cidades ao mesmo tempo! Rs rs rs.. E não só assim, mas posso estar fisicamente em um lugar e meu pensamento em outra dimensão. Quem vai negar que estou em dois lugares?? Ou em três, quatro.. Se isso existe em meu pensamento, então de alguma maneira existe.

Um empírico vai dizer que isso não é certo para a ciência, que valida ‘a verdade’ de acordo com os fatos e experiências reais. Bem, o estudo da dialética está ai pra quem quiser se aprofundar. Acho que o paradigma positivista está sucumbindo, e que algo para ser verídico não precisa ser estagnado, fechado. As possibilidades estão abertas e meus estudos me fazem ver que o dinamismo do mundo está ganhando espaço para ser compreendido. Tudo muda a todo instante e isso deve ser levado em conta. Já desviei de novo?? Rs rs rs.

Voltando, eu não estou negando a lógica, os axiomas e seu estudo. Ela é importante pra muita coisa. Pra mim, nem tanto. Não nego que uso a lógica as vezes, mas na maioria das vezes prefiro pensar de outro modo.




E porque você não vê as duas coisas?

Em vez de OU, E.


E eu resolvi meu paradoxo.
Não te perguntarei: Estou certa OU errada?
Perguntarei: Estou certa E errada
Você dirá: Sim, relativizando, estou certa em partes e errada em outras.
Não, estou completamente errada.
Não, estou completamente certa.
Embora completamente é um termo inadequado para mim.

Mas deixa essa pra uma próxima história..

1 Comentários:

PDivulg disse...

Belo raciocínio de dualidades! Podes copiar as imagens que tenho no blog, sem problemas nenhum. Gostei deste teu cantinho!