Ei, no que você acredita?
Você já esteve em Nárnia?
As crianças Pedro, Susana, Lúcia e Edmundo, sim. Elas conhecem o reino de Nárnia como a palma de suas mãos. Uma vez, em um dia de chuva enjoada, elas brincavam de esconde-esconde em um casarão antigo, enquanto o mundo vivia a guerra mundial. Escondendo-se em um guarda-roupa, entre casacos e paletós, Lúcia descobriu um portal mágico para Nárnia e para lá, chamando seus irmãos, foram viver a maior aventura de suas vidas. Passam a conhecer o bem e o mal, e a luta entre estes. Sofrem o crime e seu castigo, o sacrifício e sua recompensa. Entre árvores que escutam, animais que falam, e toda a magia, mistério, satisfação, agonia e desespero, entregam-se a sentir, a experimentar tudo que Nárnia tem a lhes oferecer. E incrível: viveram uma vida, a fantasia, por mais de 15 anos, e quando retornaram à realidade, pelo portal do guarda-roupa, sequer um minuto se passou nesta terra!!
[Ah, mentira... imaginação fértil da cabeça destas criancinhas... Ilusão dos olhos de quem elas são.. Querem ser outros. Confundem-se com seus pensamentos e não sabem mais, ou não querem, distinguir fantasia de realidade... A realidade é tão óbvia, não é? Só crianças para ousarem pensar que há outros mundos e tempos além deste... e ainda serem felizes!! Ah, mas elas vão crescer e sair desse caverna...vão cair na dura realidade da vida!]
CAVERNA, CAVERNA.. sim!! O mito da caverna de Platão!
Você também nunca ouviu falar do diálogo de Sócrates e Glauco sobre o conhecimento e a ignorância?
Pois bem, havia uma caverna. E lá, viveram, por toda a suas vidas, pessoas acorrentadas, viradas para o fundo escuro desta caverna. Elas só enxergavam as sombras projetadas no fundo e só escutavam o eco que vinha do fundo e a isso atribuíam ser ‘a realidade’. Se algum dia, uma destas pessoas fosse libertada desse mundo (escuridão) e fosse levado para fora da caverna (luz), quando se deparasse com a nova ‘verdade’, ela se confundiria com o que era realidade até aquele momento e com o que seria a partir de aquele momento. No inicio, duvidaria, não aceitaria a verdade. Só depois de habituar-se, admitiria a existência dessa realidade e admitiria que vivera todo o tempo em ILUSÃO. E ainda, se essa pessoa retornasse a caverna, sentiria-se ‘cego pelas trevas, ao se afastar do sol’, e proclamando sua descoberta aos outros companheiros, estes teriam resistência ao novo conhecimento, e acusariam-no de ter voltado de fora com a vista estragada, sendo que por isso, não valeria a pena, para eles, subir até a luz para fora da caverna.
Enfim, o conto ‘O leão, a feiticeira e o guarda-roupa’, de C.S. Lewis e o mito da caverna, de Platão, permitem-nos indagar sobre o que é a realidade e a fantasia, o que é a ignorância, o que é o tempo.
Descartes, em meditações, também se questionou, através do argumento do sonho, se nós não somos enganados em considerar a vigília como a única realidade. Nos sonhos vivemos em outros lugares, e experimentamos sensações como se tivéssemos outra vida.
Mas e porque não outras vidas ao mesmo tempo?
Penso que o ser humano é limitado. Como soldadinhos de chumbo, obedecem aos ditames da vida mundana, à moralidade, e perdem-se na realidade cotidiana. Presos numa bolha de sabão, apenas trabalham, comem e dormem, para no dia seguinte, trabalhar, comer e dormir. Não escapam da rotina. Como marionetes, fazem apenas o que esta dimensão, realidade, mostra (aos olhos) como possível a eles. Como diria Drummond: Eta vida besta, meu Deus!
Não ousam imaginar, fantasiar, pois consideram perda de tempo.
E é ai que são ignorantes. Alienados. O conto de Nárnia mostra que 15 anos em um mundo pode equivaler a um minuto na realidade terrena. Isso é ganhar 15 anos e não perder um minuto!!
Não estou sendo a favor de um misticismo incoerente ou em prol de que se acabe com a realidade objetiva, trocando-a por um outro mundo, apenas de fantasias. Estou defendendo um acréscimo de conhecimento de outros mundos, realidades, além deste. Pois, se não temos a certeza de qual a realidade verdadeira, sugiro que vivamos várias então! E também, a busca por essa certeza, absoluta, é vã. As verdades passam a existir de acordo com os mundos particulares, são constituídas conforme estes mundos, no momento. Assim foi na caverna de Platão.
E tempo é relativo. O tempo pode passar muito rápido para quem está se divertindo numa festa e muito demorado para quem está preso em uma cadeia. E o que é o tempo? Santo Agostinho já dizia que se sabe o que é, mas não se sabe como explicar o que é. O tempo não são as horas. É até irônico questionar, mas quem inventou o relógio sabia que horas eram?... 12 horas são 12 horas por mera convenção. As horas foram criadas para a utilidade de se organizar as atividades diárias. Mas ultimamente, quanta dor de cabeça e stress as horas nos causam! Talvez a vida fosse mais simples e mais significativa se não houvesse tantos horários disso e daquilo...
Bem, e além de senso comum, a teoria da relatividade de Einstein tem considerado uma diferente noção pra dimensão espaço-tempo. Segundo essa teoria, um gêmeo que viajar em uma espaçonave se deslocando a uma velocidade próxima à velocidade da luz perceberá, quando retornar da viagem, que ele envelheceu muito menos que o gêmeo que permaneceu na terra.
Assim, há possibilidades de existir diferença de tempo entre mundos. E há de se experimentar novas sensações, novas fantasias, seja em sonhos, em filmes, em pura imaginação. Acho que as literaturas infantis, principalmente, devem ser muito estimuladas, pois as crianças têm uma capacidade de criar belíssima, e que não precisa ser destruída, e sim instigada, para que delas surjam mestres, artistas, gênios! Acredite, ouse, invente, imagine! Vale a pena ver o que há fora da caverna! Entre ela, depois dela, por baixo dela.. por todos os lados...
Ode a novas realidades e tempos relativos, e conseqüentemente, a novas vidas!

2 Comentários:
hmm :)
sério... dá pra decifrar?
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