Assinalando aqui a minha leitura de "Os sofrimentos do Jovem Werther", de Goethe.
São 158 páginas do mais belo vocabulário, poético e simples, transpassando a sensibilidade de um jovem que ama de forma sublime. Deu pra ler de forma tranqüila, em uma semana e meia. Sabe aqueles livros paradoxais, que você torce e também xinga o personagem? É desses.
E ai você pensa.. Devemos amar assim, violentamente? Aquele amor que você esquece de tudo? De certa forma, Werther tornou-se louco, doente e suicida por amor a Lotte, uma mulher casada, que não sabia o que fazer com o sentimento de seu amigo, devido aos preconceitos da época.
Não sei se estou longe do mundo, das pessoas que amam desesperadamente, ou se realmente isso minou em nossa época. Cada vez mais as pessoas só querem apenas acabar, diminuir suas carências. Elas não suportam sentir desejo por muito tempo. Não veneram seus amados como antigamente. Não amam como Werther, como Romeu e Julieta, como Tristão e Isolda, como algumas almas que existiram e não sei por onde estão agora! Almas, apareçam novamente para inflar nossos corações. Mas nossas almas estão saudáveis ou doentes por falta dessa maneira verdadeira de amar???? As duas coisas...
"Pense em Lotte! "Werther respondeu: "Pensar? Precisa me dizer isso? Penso... não penso! Eu a terei sempre presente em minha alma!" .
Além, é claro, que não é só do amor que o livro fala. Goethe recheia a sua obra, de pensamentos sobre o homem, suas virtudes e defeitos, seu moralismo e tantas outras opiniões críticas, em vários aspectos.
Obs: Não quero que me percebam com uma pseudo-intelectual, não leio esses livros para dizer que li estas determinadas literaturas. Não leio Goethe, Nietzsche ou Dostoievski para me gabar, para dizer que leio livros difíceis. Na verdade eu seleciono alguma coisa e leio muito pouco, uns cinco livros por ano. Queria poder ter tempo de ler mais. Mas vou tentar desenvolver a capacidade de ler mais. E estou sendo repetitiva, porque já disse isso uma vez nesse blog. Mas é que são esses e apenas quase esses livros que me interessam. Sobre a realidade rica da vida humana. Psicologicamente, pratos cheios. É o que eu quero saber e passar a outras pessoas. Não desdenho outras leituras (só algumas), mas dou preferência a estas, as quais me emociono e aprendo algo.
“Às vezes não compreendo como um outro pode amá-la, ouse amá-la, pois só eu a amo tão profundamente, tão completamente, e nada mais conheço, nada mais sei, nada mais tenho, senão ela”
“Sim, meu caro, estou certo, cada vez mais certo, de que a existência de uma criatura vale muito pouco, muito pouco”. “Oh, o homem é tão efêmero que mesmo ali, onde tem a absoluta certeza de sua existência, onde têm a única impressão verdadeira de sua presença na memória e na alma de seus amigos, mesmo ali ele vai se extinguir e desaparecer, e bem rápido”.
“Gostaria de rasgar o peito e partir o crânio, ao ver que significamos tão pouco um para o outro”.
“De que me serve o olhar de bondade com que quase sempre me olha?”
Acho que esse livro me modificou, a respeito do que eu achava de quem se suicida. Não que eu defenda a proeza, mas depois de entender Werther, é entendível um ato desses. Depois de ler o livro todo, você fortalece a idéia de que não é um ato de covardia, e sim de coragem. E claro que isso é polêmico e eu não posso me justificar completamente aqui. Leiam e julguem Werther por vocês mesmos!
“Werther ousou morrer em nome do sentimento mais sublime e mais humano, mais harmônico e mais desestruturador, causa de nossas maiores felicidades e de nossos maiores sofrimentos” “A morte dá um fim ao sofrimento e a dor de se ver eternamente sem amor”
Claro que esse livro não pode cair nas mãos de insanos. Um tanto quanto perigoso e influenciador. Dizem que muitos cometeram a mesma ousadia de Werther, após ler o livro.
Reportagens da net a respeito:
“A paixão exagerada de Werther, levando-o a ruína de si mesmo, chama-nos a uma reflexão sobre nós mesmos, sobre nossas atitudes perante as pessoas a quem amamos e a importância que o amor possui em nossa existência. O amor absoluto é desejo de toda a humanidade, mas como alcança-lo? Como conciliar o desejo de liberdade e a fusão com o amor divino? Ao final, impõe-se a necessidade de descobrirmos qual a nossa verdadeira natureza, para que fim fomos criados, e o desejo de continuar sendo e de considerar o amor a única forma de plenitude possível.
O melhor agora é defrontar-se com a própria obra, desfrutá-la e deixar surgir em nossa sensibilidade e em nossos sonhos todos os mundos melhores possíveis.”

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