sábado, 19 de abril de 2008

Pérolas a relatar...

Já que achei que me inspiraria pra escrever originalmente e não me inspirei, trago aqui pelo menos uma concatenação de idéias alheias, embora, a concatenação seja minha....


É da pesquisa de quântica e acho essa concatenação louvável!

Lá vai:

Por determinismo, então, eu me refiro à opinião de que todo acontecimento A está de tal modo ligado a um acontecimento subseqüente B, que, uma vez ocorrido A, B terá de ocorrer. Por indeterminismo refiro-me a opinião de que existe um acontecimento qualquer B que não é ligado a qualquer A anterior, nem tem de ocorrer obrigatoriamente, uma vez ocorrido A. (Blanshard, 1964, p.20).

Aqueles que acreditam que o todo é, e sempre foi, organizado, mas que estava meramente ausente, subscrevem um determinismo de certo tipo; aqueles que assumem que o futuro ainda não está organizado, que somente o tempo o cria, subscrevem o indeterminismo. (Ajdukiewicz, 1973, p.144)

O determinismo é a tese de que tudo que ocorre, ocorre sob dadas condições em que nada diferente podia ocorrer. O indeterminismo é simples e exatamente a negação disso, isto é, que pelo menos algumas coisas ocorrem sob condições dadas em que algo diverso podia por sua vez ocorrer. Mas esses princípios carecem de explicação mais precisa. (Taylor, 1964, p. 266).

De acordo com os deterministas rígidos, não existe nenhuma contradição, absolutamente nenhuma, entre o determinismo e a proposição de que os seres humanos algumas vezes são livres agentes. Quando dizemos que uma ação é livre, nunca, em qualquer situação ordinária, significamos que ela seja incausada (...), não há antítese entre determinismo e responsabilidade moral. (Edwards, 1964, p.141).

Tudo acontece por meio de leis imutáveis.. tudo é necessário... Há, dizem alguns, certos acontecimentos que são necessários e outros que não o são. Seria muito cômico que uma parte do mundo estivesse organizada e a outra, não; que uma parte do que ocorre tivesse de acontecer e a outra parte do que acontece não tivesse de acontecer. (Voltaire, por Edwards, 1964, p.143).

Vocês tem razão em assegurar que algumas de nossas ações são causadas pelos nossos desejos e escolhas. (...) Afinal de contas, nossos desejos e todo o nosso caráter provém da bagagem de heranças e de influências do meio a que estivemos sujeitos desde o começo de nossa existência. É evidente que não tivemos nenhuma participação na modelagem de nenhuma delas (...) O homem pode certamente fazer o que ele quer fazer, mas não pode determinar o que quer. (Schopenhauer, por Edwards, 1964, p.144).

Se algum de vocês tivesse sido educado num meio como o do acusado, ou tivesse de suportar suas taras hereditárias, você estaria agora no banco dos réus. (...) Pelo fato de os seres humanos não moldarem seu próprio caráter ulterior, segue que eles nunca são moralmente responsáveis. (Edwards, 1964, p.148).

Estou firmemente convencido de que a teoria, segundo a qual ninguém é jamais moralmente responsável, além de ser falsa, está destinada certíssimamente a ter efeitos perniciosos e a aumentar o acervo de crueldade e de sofrimentos desnecessários. (...) Somos responsáveis, quer admitamos ou não, pelo que está em nosso poder de fazer; apesar das alegadas inevitabilidades da vida pessoal e na história humana, um esforço pode redeterminar a direção dos acontecimentos, ainda que não se possam determinar as condições que tornam o esforço humano possível. (...). O tratamento e a cura de enfermidade nunca teria começado a menos que acreditássemos que algumas coisas que foram não tinham que ser, que elas podiam ser diferentes e que nós podíamos fazê-las diferentes. E sermos responsáveis por aquilo que podemos fazer diferentemente. (Hook, 1964, p.229).

Se uma determinada seqüência foi causal implica que a repetição de seu primeiro termo e de suas circunstâncias será seguida regularmente pela repetição do segundo termo; mas, a regularidade de uma seqüência não implica, mas apenas sugere, que ela seja talvez causal. (Ducasse, 1964, p. 196).

O determinismo no sentido de que cada fato tem alguma causa e algum efeito, é analiticamente verdadeiro. Ele, entretanto, não implica de modo algum que todo fato seja completa e certamente previsível, mesmo teoricamente, isto é, atém mesmo na suposição do conhecimento exaustivo e exato do passado histórico do universo. (...) Em todos os tempos da história do mundo, um elemento de inovação, seja grande ou pequeno, está sempre presente e esclarece o que tem sido chamado de emergência de tais novidades como vida e mente que, enquanto novas, isto é, sem precedentes, eram inerentemente imprevisíveis. (Ducasse, 1964, p. 199).

O determinismo assegura que todo fato causa algum efeito posterior. Mas, evidentemente, esse princípio não é de modo algum equivalente à tese de que todo efeito seja causado por algum fato anterior, ou, em suma, de que todos os fatos sejam causados. (Hempel, 1964, p.203).

A tese do determinismo universal é inerentemente vaga; não é tão clara e precisa a asserção como, digamos, uma lei da física. Ao mesmo tempo, a tese torna-se uma reivindicação muito mais rigorosa do que a lei física, pois ela assegura a existência de uma série compreensiva de leis suficientes para determinar todo fato no mundo de nossa experiência. E a extensão da justeza dessa reivindicação não pode ser atingida só por um raciocínio filosófico nem pelos dados crus providos pela experiência cotidiana ou pela introspecção: ela deve ser verificada por meio de uma pesquisa rigorosa,. Extensiva, e científica. (Hempel, 1964, p.209).

A previsibilidade e o determinismo não são de modo algum termos conversíveis, embora sejam relacionados. O indeterminismo implica a imprevisibilidade com respeito ao caráter ou ao fato tido como indeterminado. A imprevisibilidade, entretanto, não implica indeterminismo, uma vez que é compatível com a existência de um sistema teoricamente determinado de complexidade tão vasta, que está além do poder humano fazer predições exatas. (Hook, 1964, p.215).

Podemos rejeitar definitivamente o indeterminismo como falso, se ele assegura que nada é determinado, pois sabemos que algumas coisas o são. Mas, se assegura simplesmente que nem tudo é determinado, ele não pode ser posto de lado. (Hook, 1964, p.216).

Podemos ainda presumir que para qualquer ato que é realizado, há razões por que seja realizado, mas estas razões não precisam ser condições causais. Antes, elas podem ser, por exemplo, motivos ou objetivos que não são condições suficientes. (Taylor, 1964, p.172).

A maioria dos pensadores confunde o problema da predição com o do determinismo, porque são fenomenólogos na doutrina e na intenção, e supõe que aquilo que os cientistas afirmam como verdadeiro, ou o que o senso comum observa, é tudo que há no universo. (Weiss, 1964, p.278).

O verbo determinar tem dois sentidos independentes que não devem ser confundidos: 1.verificar, ou obter informação de; e 2.necessitar ou ser relacionado a uma variável independente de modo a apresentar todos menos um de seus valores impossíveis. (Wilson, 1964, p.284).

A causa não pode compelir o efeito. Se pudesse, o efeito existiria quando a causa existisse. O que é comumente chamado de causa é apenas uma condição antecedente. A natureza de um efeito é definida por ela, e pode ser previsível à luz do que sabemos a seu respeito. Mas a causa não produz o efeito que de fato se realiza. O efeito atual surge como resultado de uma atividade que, iniciando com a causa, acaba por produzir um exemplo do efeito previsível. A situação causal, então, não tem dois, mas três componentes: a causa, o processo da produção e o efeito. Uma vez que a liberdade é fazer algo além da determinação por uma causa, o processo de produção é evidentemente livre. Um efeito atual é livremente produzido dentro de uma estrutura que necessariamente une uma causa antecedente e um tipo de efeito previsível. (Weiss, 1964, p.280).


Enfim... acho que meus pensamentos continuam rondando diariamente estas questões ai de causalidade, 'determinismo' e 'indeterminismos', devires, incertezas, imprevisibilidades...

Alguém acata, discorda ou simplesmente quer comentar as pérolas relatadas? Eu ampliei a visão, mas não cheguei a certeza nenhuma... não que eu almejasse chegar, mas ainda falta um desenvolvimento de raciocínio mais arojado a depurar de minha parte!!!

2 Comentários:

Anônimo disse...

q coisa engraçada...
passam-se varios meses e eu sempre caio nesse mesmo blog por acidente.

e uma pergunta...
pq as citações sao todas do ano de 1964?
coincidência?
erro de digitação?
ou oq?

SD disse...

Nem coincidência, nem erro de digitação.
Os textos em análise são a coletanea de uma obra de 1964 mesmo!!