domingo, 21 de junho de 2009

O que é epistemologia? Elogio ao artigo sobre a epistemologia da complexidade, de Francelin

A intenção deste post é compartilhar as novas bibliografias referentes ao estudo da complexidade as quais ando tendo acesso. Também é, egocentricamente, dizer (mais uma vez) que estou orgulhosa de mim mesma, e desta vez não é porque consigo vasculhar as bibliotecas da internet muito bem, e deparar-me com os artigos de que preciso, mas porque estou conseguindo ler todos eles e podendo-os integrá-los (as citações mais preponderantes) à minha pesquisa sobre a relação do conceito / noção de ser humano moriniano com a psicologia.

(Imagem: Jackson Pollock - Stnographic Figure - 1943, retirada do blog http://curiosaidentidade.blogspot.com/ )

Quero, tão logo, poder comunicar todas as referências destes artigos, inclusive de duas teses de pós-graduação no tema. Por ora, vou indicar um que muito me chamou a atenção, o artigo "Abordagens em epistemologia: Bachelard, Morin, e a epistemologia da complexidade", de Marivalde Moacir Franceli (2005), oriunda de sua dissertação de mestrado.

Engraçado que este foi o último artigo que deixei para ler diante da gama que coletei, porque pensei (e depois descobri que erroneamente) que seria mais um daqueles textos que aludem cansativamente aos conceitos de dois filósofos ( no caso Morin e Bachelard) inchando-o de termos difíceis e de pouco esclarecimento para os leigos, no geral. (Pois neste interím de leitora e pesquisadora tenho visto artigos que falam de pressupostos, a exemplo os de Kant e de Marx, dessa maneira dificultosa: mesmo sabendo que são teorias profundas, os intérpretes acabam tornando as leituras mais incompreensíveis ainda).

Qual foi o meu espanto com a facilidade de articulação das palavras e a possibilidade de ler um texto limpo, objetivo, simples e sem grandes rodeios! Que delícia, o texto flui muito bem, é simultaneamente flexível e explícito, palpável; o que quer se dizer é facilmente captado, é evidente. Só a possibilidade de ler um resumo singelo e concreto sobre o que é epistemologia no item 'abordagens em epistemologia' vale a parada dos 10 minutos para apreciá-lo.

Tendo como base Hilton Japiassu, Francelin (2005) faz em seu artigo uma ótima e interessante revisão sobre o que é epistemologia.Anuncia que a princípio, "A epistemologia preocupa-se com a história das ciências, com a arqueologia e as relações da ciência com a sociedade que a produz, interferindo tanto em sua organização interna quanto em suas aplicações” (p.104) e que este discurso (logos) sobre a ciência (episteme) vai mais além do que simplesmente discutir a estrutura de uma disciplina científica e delimitar o campo de estudos desta. A epistemologia estuda não somente a práxis científica, mas o processo de desenvolvimento científico e pergunta-se sobre as relações da ciência com a sociedade, entre a ciência e as instituições científicas, entre as diversas ciências, etc, sendo que parte de seus estudos a iniciativa para a discussão dos paradigmas científicos evidenciando assim que a epistemologia possui como caracteristica a interdisciplinariedade.

E para não postar aqui o texto integralmente e incentivá-los a sua leitura completa, vou apenas apontar mais alguns trechos que chamam a atenção aos epistemólogos e teóricos do pensamento complexo.



“Pode-se dizer que a própria epistemologia, enquanto disciplina, comporta, ao longo de seu desenvolvimento um caráter interdisciplinar direcionando-se para a complexidade”(p.102).

“A complexidade moriniana não traz em si complicadores, pelo contrário, traz a possibilidade de pensar o ser em si, sua relação com o mundo, as relações do mundo com o mundo e do ser com o ser. Nesse caso, a epistemologia proposta por Morin é uma epistemologia aberta, sem um princípio rígido norteador. Esta parte dos eventos do conhecimento, para estudar o próprio conhecimento: o conhecimento do conhecimento. É a partir do conhecimento do conhecimento que se constitui a epistemologia da complexidade, um conhecimento que pensa a conhece os limites do próprio conhecimento”. (p.107).

“A epistemologia da complexidade vê complementariedade nos antagonismos, ou seja, a relação e a complementação mútua de posições opostas ou contrárias, sendo ao mesmo tempo a disciplina que engloba e é englobada pelo objeto sem, necessariamente, isolar ou estar isolada” (p.108).

Uma epistemologia deste tipo “lança uma multiplicidade de abordagens epistemológicas que, além de contemplar os aspectos biológicos, sociais, culturais e psicológicos, os relaciona”. (108).

“Não se deve entender o pensamento complexo como uma via de mão única, sistêmica, totalizante e/ou suficiente em si mesma”.


Francelin finaliza declarando que o pensamento complexo é uma grande contribuição dada, por Edgar Morin, ao próprio pensamento. Para o autor, é uma proposta nova é uma proposta reiterada. E conhecer a partir do mesmo é uma das formas mais elevadas de conhecimento.

Seu texto encontra-se disponível na revista Transinformação, da Puc de Campinas, Volume 17, N. 02, de 2005. Arquivo em PDF na internet disponível para download no site desta revista: http://revistas.puc-campinas.edu.br/transinfo/
ou diretamente aqui: http://biblioteca.ricesu.com.br/ler.php?art_cod=1181

E olha só, há mais um artigo relacionando Bachelard e Morin, da revista da Furg-RS: http://www.remea.furg.br/edicoes/vol20/art14v20.pdf
Mas este não li ainda, vou lê-lo exatamente agora...

Um bom domingo a todos!

1 Comentários:

Maria disse...

qual é a busca?
para o esperado efeito!

gostei do blog, vou contemplá-lo por mais brancos temporais!

um beijo na testa