sábado, 2 de outubro de 2010

Volubilidade


"Não somente o vento dos acontecimentos me agita conforme o rumo de onde vem, como eu mesmo me agito e perturbo em conseqüência da instabilidade da posição em que esteja. Quem se examina de perto raramente se vê duas vezes no mesmo estado. Dou à minha alma ora um aspecto, ora outro, segundo o lado para o qual me volto. Se falo de mim de diversas maneiras é porque me olho de diferentes modos. Todas as contradições em mim se deparam, no fundo como na forma. Envergonhado, insolente, casto, libidinoso, tagarela, taciturno, trabalhador, requintado, engenhoso, tolo, aborrecido, complacente, mentiroso, sincero, sábio, ignorante, liberal, avarento, pródigo, assim me vejo de acordo com cada mudança que se opera em mim. E quem quer que se estude atentamente reconhecerá igualmente em si, e até em seu julgamento, essa mesma volubilidade, essa mesma discordância. Não posso aplicar a mim mesmo um juízo completo, simples, sólido, sem confusão nem mistura, nem o exprimir com uma só palavra" (MONTAIGNE, citado por GIANNETTI, in Auto-Engano).

Ainda não estou afim de escrever algo porque quero que esse algo seja mesmo uma opinião contundente minha sobre alguma coisa, de fato. Ou talvez eu esteja aérea demais nos ultimas dias. Mas sei das pequenas coisas que me tocam e que estão lá para serem 'amarradas' por um fio. Uma delas é esse volubilidade, é talvez essa incostância de ser e já agora neste próximo segundo não ser mais...  É por isso que às vezes, ninguem me entende, e ninguém compreende ninguém. Como diria Nietzche, 'estamos fadados a nos mal entender'.  E eu sequer tenho vontade de pedir desculpas a alguém porque não me esforço pra que  me entendam. Querem que minhas ações sejam vistas como racionais aos olhos dos outros? E por que deveriam ser racionais? Para que eu me enquadre dentro do que se é esperado comumente?  Pra ser entendível? E porque querer algo de mim? Estas necessidades humanas, tão humanas! Tsc Tsc... 

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