E o que ele diz, cantando, sussurrando é: “ – Sil, estou aqui, me veja! Por que me negas? Estou te dando as provas concretas que eu existo, estou me revelando a você pelos sentidos e você vai se esquivar ao que sente? Vai fugir? Pois bem, saiba que eu não preciso que você acredite em mim para que eu exista e influencie a vida, mas se você admitir, tudo ficará mais fácil para você, perceba as vantagens de me considerar na vida...
A SAGA
01 – Introdução
Ficava a sensação de uma ‘impertinência’, pois eu nunca sabia em que lugar deveria estar e muito menos ‘se deveria estar’, o que comecei achando que não, que não haveria um sentido posto, e que eu poderia estar em qualquer lugar, sendo o meu estar ali determinado somente por ‘causas’ passadas, mas nunca por causas futuras, eu não achava que o mundo movia a mim e as coisas, duvidava de um destino pronto, dado, da tal dança do universo...
Eu resumia, no senso comum, que nossa vida estava traçada de certa maneira, ou seja, haveria coisas das quais não escaparíamos e, ao mesmo tempo, haveria espaço para construirmos nosso caminho. Assim, existiriam milhares, várias formas de seguir nossa vida, porém, talvez, o final fosse o mesmo. Deveríamos chegar ao mesmo lugar, mas para chegar lá, haveria várias possibilidades. A diferença seria exatamente como chegar. Duplicaríamos alguns trechos, desviaríamos outros, erraríamos alguns e teríamos que voltar para continuar o trajeto.
02 – Desenvolvimento
Fato 01 -
O início de 2003 foi conturbado para mim. Em janeiro, estava eu sem rumo algum. Tinha recebido a notícia que eu havia reprovado no vestibular, e ai, como tinha parado de trabalhar pra dedicar-me aos estudos no fim do ano, me vi desempregada, além de que tinha acabado de terminar um namoro de três anos. Então, o que iria eu fazer da minha vida, se não estava motivada pra nada?
Resolvi viajar, pra espairecer, dar um tempo e pensar depois o que eu iria fazer daquele ano. E ai, que tentei de umas cinco maneiras ir para a praia, com alguém, e nada deu certo. O telefone que caia a ligação, o carro que encrencou e que não teria condições de pegar estrada, a passagem que não tinha horário, a prima que não podia mais, a casa que de repente, passou a estar alugada. O mundo só podia estar rindo da minha cara, naquele momento! Tudo, exatamente tudo dando errado. E eu falei: vou viajar de qualquer jeito, não vou ficar em Curitiba. O que pude fazer foi ir pra Lapa, na casa de um padrinho, ficar pouco mais que um fim de semana. Passado um dia lá, minha mãe ligou dizendo pra eu voltar na segunda porque tinha uma nova vaga de emprego, das boas, para eu concorrer. E ai, eu voltei, já na segunda fiz a entrevista, e na terça estava eu, novamente empregada!
Estranho, muito estranho, tudo acontecer dessa maneira! Fiquei pensando que se eu tivesse ido para a praia, não iria voltar. Parece que tudo aconteceu como tinha que acontecer, embora eu continuasse duvidando disso.
Enfim, a vida se resolveu, mas a dúvida de um dedo a mais nisso tudo permaneceu atrás da orelha.
Fato 02 –
Entrando na faculdade e principalmente em uma universidade pública, somos incentivados a ter um pensamento crítico. Influenciada por várias leituras, tomando atitudes cartesianas de duvidar de tudo, e relativizando tudo, eu me tornei quase uma niilista à mode Nietzsche. Passei a achar ilógico, total incoerência, e por demais de ab-sur-dum as pessoas acreditarem em ‘destino’. Ora, nessa onda moderna de enxergar nas coisas a complexidade, o caos, a desordem, o acaso, o nada, que se atreve a ter certeza de algo? Quem poderia negar a imprevisibilidade dos fatos, da vida? Que destino o quê... Quem vai ousar dizer que possui uma verdade, uma vida programada, predestinada? Para mim, esse papo bonitinho de coincidência, aquela idéia de pessoas do nada se encontrarem, de coisas estarem associadas por algum elo invisível era conversa pra boi dormir. Sincronicidade? Conspiração do universo pra que ele realiza sua dança? Lei de Murphy ou da Atração? Hahahhahaha, piada, pura balela...
Sejamos realistas, ‘co-incidência’, etimologicamente, significa nada mais nada menos que o que quer que co-incidiu, ocorreu apenas conjuntamente. Aconteceu junto, uma hipótese entre zinzilhões como qualquer outra. Quem via conexões significativas entre fatos coincidentes queria apenas ver algo mais ali, que fizesse sentido, porque as pessoas não conseguem conviver com fatos que não apresentam um ‘para quê’, um ‘por quê’. Elas querem o sobrenatural.
Fato 03 –
Paralelamente ao meu ceticismo exacerbado, algumas coisas estranhas aconteciam. Á algumas, eu ignorava. Livros começavam a cair na minha mão. Eu estava procurando um, e exatamente do lado do que eu peguei na prateleira, ou em cima da mesa da biblioteca em que eu iria utilizar, aparecia outro, que olhava para mim e dizia: ‘leia-me, devore-me, tenho os pensamentos que você procura’. Começava eu a enxergar pessoas, ou pensar nelas, minutos antes de elas aparecerem. Então, pra tentar escapar desta realidade, eu ia assistir um filme, e ai, até o filme dialogava comigo, me trazia relações para com outros. Magnólia foi um deles.
Mas até que entre mais dois destes filmes que assisti num feriado, um deles foi Vanilla Sky, e o outro foi Beleza Americana, houve uma coincidência significante, uma relação maior entre eles. Exatamente numa fase da minha vida em que eu tentava me esquivar de viver um pouco na minha ‘realidade’, ambos estes filmes me mostraram a mesma cena: a de que um minuto antes de nossa morte, iremos rever toda nossa vida em flashes; tudo de bom e de ruim vai se concentrar e passar na nossa cabeça, como um filme do que fizemos com nossa vida. E ai, quem viveu, viveu, que não viveu, já era...
Ai, eu congelei: “Poutz, será que a vida quer me dizer alguma coisa?” “Não, Sil, que isso, desde quando a vida fala? Lembra-se do sentido de co-incidências?” “Mas, será? Bah, se acontecer mais uma coincidência eu acreditarei”.
Então, dois dias depois de ver o filme, estava eu dentro do ônibus indo para a faculdade, como de costume. Sentada ao meu lado, estava um moço, lendo um livro de economia. Enquanto ele lia, eu espiava um pouco qual era o assunto, mas sem prestar atenção. Estava eu, ‘não sei por que’, pensando na banda Terminal Guadalupe, de uns amigos meus, e lembrando de que na época em que conheci essa banda, a primeira música pela qual me fez os conhecer, chama-se “Favas Contadas”. Não conseguia lembrar da letra da música, mas o nome dela ficou na minha mente por alguns segundos. “Favas Contadas”. E eis que o menino continuava lendo. E eu ali. Então o menino virou uma página. E eu ali ao seu lado, já quase mudando de pensamento. Ele leu e virou para a seguinte... e... pasmei! Pois o título do capítulo seguinte do livro do moço chamava-se exatamente “Favas contadas”. Olhei umas duas vezes, li de novo, olhei para o moço que me olhou com um ar de ‘Hã?’. Só podia ser a coincidência que eu pedi que acontecesse para eu acreditar. Era um sinal. Poderia eu agora fingir que não acontecem coincidências significativas? Não, fiquei sensibilizada. Se fosse qualquer outra palavra, passaria batido, mas era uma construção frasal, de difícil uso. São ‘favas contadas’. Que probabilidade teria isso de ocorrer ???
Fiquei com a palavra na cabeça. Contei a algumas pessoas o fato. “Procure o significado desse sinal, Sil!” A letra da música contou-me alguma coisa para meu momento. Mas não me bastou. E descobri o significado das duas palavras juntas. Segundo o dicionário Aurélio, ‘Favas Contadas’ significa ‘Coisa certa, Inevitável’. Sim, inevitável! Se você quiser que o mundo te responda algo, ele pode te responder. Porque ele diz, ele move-se, basta ter sensibilidade para captar os sinais...
CONCLUSÃO INACABADA
Enfim, esta é uma crônica real. E chama-se para mim “O click da Beleza Americana de um Céu de Baunilha”. É claro que ninguém pode entender completamente esta minha experiência porque não têm todos os detalhes os quais, a anos, eu vim religando, fazendo deles a minha questão. Aqui só pude resumir. E também não mudei da água pro vinho novamente, não acredito totalmente em destino. Posso agora ter certas convicções de que é possível haver sincronicidades, de que é possível que determinadas pessoas passem perto de nós só para nos mostrar algo, para nos contar alguma coisa. Não duvido mais disso. Acho que o que aconteceu foi eu sair do senso comum, cair em extremos, e agora restabelecer um linha de pensamento, de entendimento, e mais do que isso, uma linha de sensibilidade. Agora, outras coisas fazem sentido, que antes não faziam. Coisas que aconteceram ano passado, religam-se com o que acontece agora. Por exemplo, livros que eu li, sem saber, que fazem parte de outras teorias que pesquiso agora. E confesso que olhar para isso, para essa inteligência da própria vida, me faz caminhar diferente. Desacreditar pode não fazer diferença, mas acreditar faz.
E espero que eu tenha conseguido dizer algo para alguém, talvez também para alguém que precisa ouvir isso.
E neste instante, vou ver o restante de um outro filme, que versa sobre a mesma coisa. “The secret” comenta que se você acreditar...
Thats it..


2 Comentários:
Várias vezes fiquei pensando nessa dualidade Destino X Livre arbítrio. Será que são somente coincidências alguns fatos que parecem ter estranhas ligações? Uma vida é muito pouco pra saber.
acho que vc tá podendo acessar alguns "poderes" que podemos ter...
pequenas conexões entre pensar/sentir... mix de sentidos
um privilégio poder ampliar suas anteninhas |o| bip, bip...
o pai do meu sobrinho gabriel (o aniversariante de 5a.) é escritor e a capa do 1º livro dele é esse teto da sistina aí... me lembre de te passar o 'mudando o amanhã' depois!
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