sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Contextualizando Edgar Morin

Quem é e sobre o que versa o teórico da complexidade

Edgar Morin é um francês parisiense, nascido no ano de 1921. Ele está vivo, com 87 anos. É licenciado em História, Geografia e também em Direito. Especializou-se em na área da Filosofia, a Sociologia e a Epistemologia. Também discute idéias na antropologia, na política, na educação. Assim, ele é reconhecido atualmente de diversas maneiras. Por sociólogo, por antropólogo, como filósofo, pensador da ética e política da solidariedade, intelectual de esquerda, o “humanista planetário”, o “passador de fronteiras”, teórico da complexidade, o educador dos sete saberes.



Sua origem/descendência é judaico-espanhola, ele é um sefardita (descendente de judeus originários de Portugal, Espanha, Itália, Grécia, Turquia, Palestina, etc).

Desde pequeno sempre foi um leitor inveterado. Aos 09 anos, sua mãe faleceu, tendo ele sido criado pelo pai e por uma tia. A morte o marcou significativamente, tornando-se uma de suas primeiras temáticas de estudo. Tem um livro denominado ‘O homem e a morte’, publicado em 1951.

Desde jovem Morin engajou-se com questões políticas e assistenciais. Foi em 1943, filiando-se ao partido comunista, que Edgar Nahoun (seu verdadeiro nome) teve que substituiu esse seu sobrenome Nahoun por Morin, por motivos de clandestinidade, porque ele era judeu, militante na Frente Nacional dos Estudantes Comunistas, integrante do exército francês e precisava se proteger. E desde esta fase de sua vida, Morin é crítico e já incomodava muito com suas polêmicas, tornando-se, prematuramente, quase um redator de jornais perseguido aos seus 20 e poucos anos.


Depois de casado pela primeira vez, esteve entre 1945 e 1946 em Berlim, e em seguida escreveu seu primeiro livro, o Ano Zero da Alemanha, exatamente uma análise diagnóstica do cenário europeu político, econômico e histórico pós-guerra, obra a qual foi conhecida, publicada em 1946. De volta a Paris, ele estabeleceu discussões com Alberto Camus e Merleau-Ponty. Até este momento, Morin já dominava grande conhecimento, de vários autores como Montaigne, Rousseau, Voltaire, Diderot, Hegel, Marx, Lefebvre, Rimbaud, Freud, Jung, Ferenzi, etc.

Na década de 1950, depois de ter sido excluído do Partido Comunista Francês, tendo que se afastar da política, Morin realmente inicia sua trajetória de escritor produzindo estudos sócio antropológicos através da temática do Cinema, do homem imaginário, do mito e sedução no Cinema. Já a partir da década de 60, passa a conhecer e se interessar por Adorno, Marcuse, Horkheimer, por Lukács e pelo Heidegger da última fase. Acaba sendo reconhecido internacionalmente após diversas viagens pelo mundo, em que teve a chance de expor seu pensamento, seu trabalho, participando de vários grupos de trabalho e escrevendo artigos para o jornal francês ‘Le Monde’.

Em 1970 é convidado por Jacques Monod a trabalhar e estudar em um instituto biológico da Califórnia, o Instituto de Pesquisa Mental de Palo Alto, onde ele pode se dedicar aos estudos da cibernética, teoria de sistemas e teoria da informação, conhecimentos os quais, atualmente, são alicerce em toda sua teoria sobre a complexidade.

Retornando a Paris, funda o Centro Royaumont para as ciências do Homem, recebendo intelectuais ilustres para debates. De 1971 a 1973 Morin tem acesso, através da obra de Henri Atlan, ao pensamento de Heinz von Förster, na teoria da auto-organização e na teoria dos automata auto-reprodutores de Von Neumann. É nesses anos que ele começa a conceber e introduzir a obra “O método”, ao mesmo tempo em que lê Bachelard, Wittgenstein, Popper, Lakatos, Feyerabend, entre outros e Publica "O paradigma Perdido”.

De 1980 a 1900 deslancha sua produção cultural. Algumas obras publicadas: Para sair do século XX (1981), Ciência com Consciência (1982), O problema epistemológico da complexidade (1985), Introdução ao Pensamento Complexo (1990), Terra-Pátria (1993), A cabeça bem feita: pensar a reforma e reformar o pensamento (2000), Os sete saberes necessários à educação do futuro (2000), O desafio do século XXI: religar os conhecimentos (2001), a coleção O Método, já no volume 06, entre outros.

E é a partir da década de 90 que o grande reconhecimento de Edgar Morin se inicia, principalmente com as reflexões em torno da complexidade presentes em O Método.

Sua importância passa a se notar progressivamente por causa do conteúdo que Morin versa: a relação da realidade com a investigação cientifica, ele atrela a configuração da sociedade atual às reflexões preponderantes no momento. Discute sobre a inter-relação e interdependência de fenômenos biológicos, psicológicos, sociais e ambientais; a respeito das crises e transformações constantes, por todos os lados, que anseiam por uma nova lógica transdisciplinar, conectiva das múltiplas causas e de conhecimentos, e que rogam pela reforma do pensamento cartesiano e fragmentado; fala das rupturas e suturas carentes e imploradoras por explicações voltadas para os conceitos e teorias que envolvam caos, ordem, desordem, organizações, contradições, acasos, incertezas, duplicidades, complementaridades, invisibilidades, etc.

Morin discursa sobre qual a representação dos sujeitos perante a “agonia planetária” do inicio deste século, propõe um debate sobre o conhecimento do conhecimento e o desenvolvimento de uma ética ecológica, planetária, e também de uma auto-ética. Morin denota estar sintonizado com a incerteza e a perplexidade vivida atualmente.

É um homem que incomoda a comunidade cientifica porque defende uma forma radical de expor o sujeito e suas mais ínfimas partes, reconhecendo a “indissociabilidade entre o sujeito que conhece e o fenômeno que ele quer explicar”, uma pessoa que está atenta às “armadilhas da percepção”, diagnosticando o limite entre o erro e a verdade, entre o real e o imaginário...

Enfim, Morin é vislumbrado como um intelectual que versa sobre vários assuntos, e em vários momentos.

Para Bianchi (1999), que classifica a obra de Morin como multiforme, é possível observar três direções de percurso principais: a obra sociológica, a obra antropológica e política, e La Méthode, a culminação de grande parte de seus saberes, tendo como epicentro o pensamento complexo.

Um profissional extremamente polêmico, antenado e preocupado com as questões crucias de nosso tempo, buscando elaborar um pensamento que abarca a complexidade da realidade presente, que incita a uma reforma geral do pensamento, para revogar os conhecimentos mutilados e compartimentados, através do exercício da transdisciplinariedade. Alguém consciente da articulação que deve se realizar entre o universal e o concreto.

Doutor Honoris Causa em diversas universidades no mundo, na Itália, no Brasil, no México. Desde 2002, é diretor Emérito do CNRS, Centro Nacional da Pesquisa Científica.


2 Comentários:

Unknown disse...

Sim... com efeito !!! :D

Não conhecia bem a biografia do Morin.

Muito bacana !

bjsssssssssss

Antônio Sales disse...

Olá, Silvana.
Adorei a boa contextualização do polêmico e desconcertante Edgar Morin.
Seu blog está cada vez melhor e mais complexo.
Inclusive, fiz menção nas referências da nossa Escola da Complexidade.
Abraço,
Antônio Sales