domingo, 7 de dezembro de 2008

A partir do ano que vem...

(Desabafo pessoal)

Outra vez, as sonhadas férias chegaram!
Após a jornada das fatídicas provas e entregas de relatórios da faculdade... uma época moribunda, em que fico fadigada, extenuada, vem o declínio.. a vertigem...
Entro na órbita dos desatentos, dos ridículos esperançosos, dos que querem desafogar suas tensões, mas não deixar de viver intensamente... aguardando o incrível acontecer sem ter-se feito algo para tal, sem ter mexido um dedo em prol de alguma satisfação particular.. Almejando que o mundo me dê de presente muitas alegrias, risos descomprometidos, sem esforços maiores empreendidos.. ora ora...

Vou a biblioteca municipal da cidade, mas nem ao menos decidir por um autor ou obra a que tanto esperei tempo por ler, como Crime e Castigo de Fiodor Dostoievski, eu consigo.
Relutos, resistências... serão apenas conceitos dos livros do Freud?

Não querer despreocupar-se (desprender-se?) totalmente, e não entregar-se alguma vez na vida a alguns pequenos deleites diários, como o de não fazer absolutamente nada produtivo racionalmente no dia, talvez seja uma defesa minha, um aviso de que a temporada acadêmica está no fim, de que um novo ciclo se iniciará do qual tenho, como qualquer mortal, receios... (e se aprendi bem com a psicologia, o medo do novo é o medo de renunciar ao habitual... medo das perdas... do desaparecimento, da carência, da falta...)

Ahhhhhhhhhhhhhhhhh as vezes é tão precioso e necessário um grito! Um grito inicialmente acanhado, todavia urgentemente estrondoso! Pois quem não precisa alguma vez fazer um alarde do que lhe acontece? Mesmo que não se saiba conscientemente o que quer se dizer, quais palavras berrar, quer-se de alguma maneira alcançar os ouvidos de outrém, muitos outrens... ou somente de aqueles (de Akiles?) que se interessam por compartilhar das limitações humanas...

Sinto-me, pois, estranhamente limitada... visualizando uma chuva morna chegar... não de uma tempestade torrencial, mas de uma curta nuvem com pedregulhos.. Proteger-me ou me molhar?

As vezes habituo-me a falar em metafóras, só pra ficar mais bonito. A minha contradição interna justamente é essa: querer ser compreendida ou não... Mas eu falo dificil, só pra contar que sentirei falta de agora, de que as coisas mudarão muito, a partir do ano que vem...


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