Algumas pessoas têm problemas em terminar as coisas. Eu, ao contrário, tenho problemas se não terminar o que começo. Me disseram que meus posts já estavam ficando enjoados, de tanto que falei da Woolf, e que eu não tinha outro assunto. Que talvez eu poderia intercalar alguns posts e depois voltar nos fragmentos aclamados da escritora. Não que eu me perderia, ou esqueceria de intermediar com As Ondas depois, mas sabe... acho que sou mesmo metódica e sistemática o suficiente, talvez obsessiva ao extremo, para querer seguir uma certa ordem... mesmo amando o caos e a complexidade!!! Afinal, padrões existem no caos, e lembrei de padrões porque encantei-me com fractais, dois dos quais escolhi e quero colocar aqui no cabeçalho do blog mas não estou conseguindo com este template...
Assim, hoje vou fazer um post misto: juntar fractais mais os trechos finais por mim escolhidos de As Ondas, da Woolf.
Pra quem não sabe o que é um fractal, achei uma resposta interessante:


Fim!!! Espero que tenham gostado desta sequência de fragmentos da Virgínia Woolf! E depois que finalizei o post, ainda pensei: Misturar estas imagens bonitas com trechos intrigantes ficou mesmo uma mistura que ocasiona sensações complexas!
Assim, hoje vou fazer um post misto: juntar fractais mais os trechos finais por mim escolhidos de As Ondas, da Woolf.
Pra quem não sabe o que é um fractal, achei uma resposta interessante:
A ciência dos fractais apresenta estruturas geométricas de grande complexidade e beleza infinita, ligadas às formas da natureza, ao desenvolvimento da vida e à própria compreensão do universo. São imagens de objetos abstratos que possuem o caráter de onipresença por terem as características do todo infinitamente multiplicadas dentro de cada parte, escapando assim, da compreensão em sua totalidade pela mente humana"
Sinto-me insignificante, perdido, mas exultante. Não quero antecipar o que está por vir. O grande tumulto está em meus ouvidos. Soa e ressoa sob esse teto de vidro como a ressaca do mar. Meu senso de mim mesmo, meu desdém, quase desaparecem. Sou empurrado, esmagado, projetado parao céu (...)".

A verdade é que preciso do estímulo de outras pessoas. Sozinho diante do fogo apagado, inclino-me a ver as partes fracas de minhas histórias. O verdadeiro romancista, o ser humano perfeitamente simples, poderia continuar imaginando indefinidamente. Não integraria as coisas numa só síntese como eu. Não teria essa sensação devastadora de cinzas frias numa grelha apagada. Uma cortina cerra meus olhos. Tudo se torna impenetrável. Cesso de inventar..."
Mas solilóquios em ruas laterais logo se tornam insípidos. Preciso de uma audiência. Esta é minha fraqueza. Não posso sentar-me em algum restaurante sórdido e encomendar o mesmo copo dia após dia e encharcar-me todo desse fluído desta vida. Farei minhas frases e fugirei com elas para algum quarto mobiliado em que haverá a luz de duzias de velas. Preciso de olhos sobre mim, para esboçar esses ornamentos e esses babados. Para ser eu mesmo (percebo) preciso da iluminação dos olhos de outras pessoas; por isso não posso ter certeza absoluta do que seja eu mesmo. Os autênticos, como Louis, como Rhoda, têm êxito mais completo na solidão. Ressentem-se da iluminação, da reduplicação. Uma vez pintados, jogam seus quadros no chão, com a face para baixo. Nas palavras de Louis há uma grossa camada de gelo. Suas palavras nascem comprimidas, condensadas, permanentes" (p.87).
Mas quando você pára na porta - disse Neville - impõe silêncio, exigindo admiração, e isto é um grande estorvo à liberdade do relacionamento. Você pára na porta, fazendo com que a notemos. Mas nenhum de vocês me viu quando eu me aproximava. Cheguei cedo, cheguei rápido e direto para cá, a fim de me sentar junto à pessoa de quem gosto. Minha vida tem uma rapidez que falta às de vocês. Sou como um cão de caça farejando, caço do amanhecer ao crepúsculo. Nada, nem a busca da perfeição através das areias, nem a fama, nem o dinheiro, tem significado para mim. Mas nunca terei o que desejo porque me falta graça física e a coragem que ela traz. A rapidez da minha mente é excessiva para meu corpo. Falho antes de chegar ao fim, caio em um monte úmido, talvez repulsivo. Provoco piedade nas crises da vida, não amor. E sofro horrivelmente por isso. Mas não sofro para dar um espetáculo, como faz Louis. Tenho um senso demasiado sutil da realidade para me permitir essas chantagens, esses fingimentos. Isso me salva. É o que confere ao meu sofrimento uma agitação incessante. É o que me faz dar ordens mesmo quando estou calado. E como, sob certo aspecto, sou iludido, porque a pessoa está sempre mudando, e o desejo não, e pela manhã não sei com quem me sentarei à noite, nunca estagno; ergo-me de minhas piores desgraças, volto, transformo-me. Pedregulhos ricocheteiam na armadura de meu corpo musculoso e distendido. Envelhecerei nessa busca" (p.97).
- Pergunto, se nunca mais verei você, nem fixarei meus olhos sobre sua solidez, que forma assumirá nossa comunicação? Você atravessou o campo, cada vez mais longe, tornando mais e mais tênue o fio que nos liga. Mas em algum lugar você existe. Algo de seu permanece".
- Mas ainda me ressinto da ordem habitual. Não me permitirei ainda aceitar a sequência das coisas. Caminharei; não mudarei o ritmo da minha mente, parando, olhando; caminharei. Subirei por esses degraus até a galeria e me submeterei à influência de mentes como a minha, fora da sequência".
A verdade é que não sou um desses que encontram sua satisfação em uma pessoa ou no infinito. Meu quarto me entendia, o céu também. Meu ser cintila apenas quando todas as suas facetas estão expostas à muitas pessoas... Não tenho tantos dons como outrora parecia. Certas coisas estão fora do meu alcance. Nunca entenderei os problemas mais difíceis da filosofia (...) Mas, penso, a verdade se aproximou mais. Por muitos anos recitei complacente 'Meus filhos... Minha mulher... Minha casa... Meu cão'. Quando abrir a minha porta com a chave, eu passava por aquele ritual familiar, e me envolvia em cobertores quentes. Agora, esse adorável véu caiu. Não quero possuir nada".
Estou anuviado e ferido pela marca de mentes e rostos e coisas sutis que têm aroma, cor, textura, substância, mas não tem nome. Sou apenas Neville para vocês que enxergam os estreitos limites da minha vida e a linha que ela não pode ultrapassar. Mas para mim mesmo, sou imensurável, uma rede cujas fibras passam imperceptíveis debaixo do mundo... Diante de meus olhos abre-se - um livro; olho o fundo; o coração - vejo as profundezas. Sei que amores fremem em fogo, cíume dispara seus lampejos verdes aqui e ali, como o amor atravessa intrincadamente o amor, o amor faz os nós; o amor desmancha-os brutalmente outra vez. Tenho sido atado, tenho sido dilacerado".
Como a vida é linda, mas também odiosa!!"
Fim!!! Espero que tenham gostado desta sequência de fragmentos da Virgínia Woolf! E depois que finalizei o post, ainda pensei: Misturar estas imagens bonitas com trechos intrigantes ficou mesmo uma mistura que ocasiona sensações complexas!

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