"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."
Clarice LispectorNão me identifiquei plenamente com este trecho, mas achei-o interessante! Por isso, estás aqui.. rs
3 Comentários:
rs, Clarice é muito bom por que é contraditória, analógica. Sil, percebi no link do teu blog no meu blog que não está mostrando a data do seu último post. aparece lá que vc postou algo há dois meses, será que isto está acontecendo nos outros blogs onde há o link do teu blog?
Bj e saudade das nossas conversas malucas.
Me identifiquei bastante com o texto.
Entender demais deixa a gente meio niilista, oque nao é nem errado nem pior, mas no mínimo desconfortável.
Entender
Pelo Dicionário:
“Perceber pela inteligência, compreender.”
O entender nada mais é que ter um posicionamento sobre determinado tema, um posicionamento ou varias correntes de pensamento sobre o assunto, o texto aqui postado nada mais é do que um entendimento, neste caso o entendimento da nossa ilustre Clarisse Lispector.
Acredito que não devemos ser convictos e devemos sempre observar as probabilidades da problemática, aceitar a relatividade entre certo e errado e o quanto nossos valores interferem na forma de pensamento e na nossa escolha.
Se aceitamos o “não entender” como algo libertário, seria no mínimo curioso. Porque tentar explicar? Para que então continuar a aprender? Seria muito mais fácil não o fazer.
Muito raro também é reproduzirmos com exatidão a idéia expressada por determinados pensadores, sem a interferência do nosso intelecto, nosso entendimento, se logo no interpretar já o aplicamos. Não acredito que existiria evolução apenas com a reprodução.
Mas subjetivamente consigo aplicar a idéia apresentada no texto, só que não gosto da forma com que foi expressada.
Na minha analise do texto, observo que Clarice se referia ao medo de cometer um equivoco ao aplicar a sua verdade, o medo de estar convicta, o medo de não conseguir justamente verificar os diversos modos de pensar uma ou muitas realidades.
Esse tipo de pensamento me irrita por diversas vezes, enquanto continuo acreditar que é apenas uma idéia que nos conforta diante a complexidade em que se encontra o campo das idéias. Para algumas pessoas isso causa um sentimento de “pequenez” diante de uma enorme vontade de estar certo mesmo sabendo que isso é só mais uma forma de entender diante das diversas.
Ser inteligente e não entender pode sim acontecer, mas quando a idéia final é continuar a não entender se torna uma burrice sem tamanho.
“Uma vez tomada a decisão de não dar ouvidos mesmo aos melhores contra-argumentos: sinal do caráter forte. Também uma ocasional vontade de se ser estúpido” (Nietzsche)
Sempre devemos apresentar o nosso entendimento e lutar por eles até que ou nós mesmos ou outros nos apresente mais um olhar para que possamos acrescentar às nossas idéias uma outra forma de entender.
É esse o meu ENTENDIMENTO (RS)
Bjos Minha AMADA
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