domingo, 17 de abril de 2011

A infidelidade em Last Night e Closer


A película é da cineasta iraniana Massy Tadjedin.  O roteiro foca-se na relação entre Joanna e Michael, interpretados respectivamente por Keyra Knightley e Sam Worthington, casados por três anos e que não permanecem juntos por uma noite devido a uma viagem de negócios do esposo. A belíssima Eva Mendes e o ator Guillaume Canet entram na trama e encaixam-se nos papéis sutis dos ‘o outro/ a outra’ da história, sendo Laura e Alex.

Apesar de não haver o lado passional de Alice (Natalie Portman), e a expertise e sagacidade de Larry (Clive Owen) em ‘Closer – Perto Demais’, a correspondência óbvia entre os filmes, mas não por isso menos interessante, se mostra pela decorrência dos acontecimentos inusitados ocasionando os envolvimentos rápidos e casuais, colocando em xeque o tema da ‘traição’.


A ‘Ultima Noite’ perde em muito para o drama de Mike Nichols, pois as características de cada personagem não são exploradas e os discursos não são tão ricos e impactantes como ocorre entre Anna (Julia Roberts) e Dan (Jude Law) ou Dan e Alice, até mesmo porque Laura e Alex não chegam a se conhecer e se entrosar no caso. Por outro lado, esse fato de ambos, Joanna e Michael, ficarem apenas com as suspeitas de que podem estar sendo traídos um pelo outro deixa a narração mais envolvente pela questão de eles serem incomodados individualmente por isso, mas não quererem duvidar do amor que sentem e os unem. Ai que o filme prende a atenção, pois apresenta justamente cenas que demonstram a confusão de sentimentos e o dilema de até onde se pode confiar no seu parceiro. Enquanto Joanna pensa que seu marido jamais a trairia de fato, mas admite para si que quando as coisas vão mal pensa em seu ex namorado, Laura é completamente ciente de que atrações entre homens e mulheres sempre existem e até menciona que depois de ter esclarecido isso entre ela e seu ex-marido a fez viver com ele os seus melhores momentos conjugais. 


Muitos poderiam comentar que se trata de mais uma banalização da traição, tornando-a algo comum entre casais. Contudo, porque não se crítica a monogamia tão fortemente instaurada na sociedade? Se todo mundo tivesse mais de um cônjuge / namorado / flerte, o errado seria ter apenas um.  Não defendo a infidelidade ao dizer que esta deve ser vista como algo passível de acontecer num relacionamento a dois. Mas que encará-la como uma possibilidade e analisar o cenário, os fatores envolvidos e como as coisas chegam a acontecer se acontecem é um jeito de compreender relações humanas e não subjugar-se a ilusão de relacionamentos perfeitos. Perdoar ou não, aí é outro papo, depende de cada caso.   Perdoar nem sempre o outro, mas muito mais a si por ter sido ‘trocado’, ou seja, aceitar poder ser substituível talvez seja a maior dificuldade das pessoas. E mais difícil ainda entender que uma casual atração não necessariamente significa que se deixou de amar por um instante alguém. Acho que um dia vou escrever sobre fuga de relacionamento quando se percebe amar demais alguém...

Voltando à apreciação do filme, além do que já foi dito, pode-se salientar que traz uma boa trilha sonora e que o realismo e a sensibilidade das cenas instiga. Vale um ‘up’ na lista dos bem votados.

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