Escrevi um texto com o ponto de vista tradicional do que é e como ser um cidadão, e o escrevi, primeiramente para ajudar uma pessoa a atender as demandas universitárias, entregando um trabalho acadêmico que, teoricamente, estaria colaborando para a formação de um profissional da área de exatas. Depois fiquei pensando sobre o que no fundo eu queria expressar, e no que realmente eu coloquei pensando no que o professor queria que eu tivesse escrito para atingir uma boa nota. Obviamente se eu debatesse o que penso ‘contra um mundo melhor’, meu texto ganharia uma nota ruim.
No mesmo artigo, explicitei que os trechos de uma autora que escreve sobre o ‘direito de ser cidadão’ oferecem argumentos para refletir sobre como o brasileiro percebe, assimila e vivencia a representação e o seu verdadeiro papel de ‘cidadão’. Resumindo, exponho que diante da tese da autora de um Brasil cheio de divergências sociais e dos desafios mundanos vivenciados hoje (benefícios e malefícios da globalização, e problemas historicamente mais antigos como má distribuição de renda, desemprego, e manipulação da mídia para repassar informações a sociedade, atrelados aos típicos sistemas de governo capitalistas), formulam-se perguntas sobre a capacidade do humano de mudar suas realidades para um suposto ‘melhor para todos’, e sobressaem-se os temas da política, da ética e da moral instauradas atualmente.
Em seguida, apresento generalizações e defendo o que a dissertação propunha e esperava: a consciência cívica. Digo que o humano tem apenas uma noção do que é Política e para que a Constituição Federal serve, para mostrar a idéia clichê de que “não somos todos verdadeiros cidadãos pois muita gente continua omissa e não ativa na construção da cidadania e da sociedade ao nosso redor”. Meu texto atinge o clímax quando aponto que não há como não viver em sociedade, simultaneamente ao fato de que a humanidade conquistou a democracia, mas não plenamente. Exponho que não é suficiente ofertar um sistema que permite maior liberdade de expressão, igualdade de direitos, e capacidade de eleição de seus representantes governamentais por meio do voto quando na prática ele é inatingível, ou inviável, porque o cerne da mudança estaria no querer mudar de cada indivíduo. A lógica do parágrafo ficou tão racional e bonita que vou citá-lo integralmente para mostrar meu poder de persuasão:
“A democracia plena não existe pois mesmo que todos possam escolher os políticos em que mais confiam, continuam prevalecendo as concentrações de poder, os abuso de autoridades, os corporativismos empresariais, e diversas burocracias que atrapalham o alcance dos direitos aos menos favorecidos. Se ser cidadão é ser um sujeito político por natureza, porque não estamos exercendo o poder individual político que nos é dado? Porque ainda não somos conscientes de que podemos, e mais, de que devemos participar das decisões políticas, comunitárias e sociais para mudar as regras e ações em prol do bem melhor a todos? Talvez porque existem instâncias maiores, mais fortes, um sistema capitalista, ainda de hierarquias, que camufla as informações e impede que a educação chegue a todos. É uma resposta plausível, porém que ainda joga a culpa no sistema, como se este estivesse fora de nós, não alertando a questão da nossa parcela de responsabilidade nisso tudo. Mas talvez outro motivo, mais implícito, de sermos alienados, é que ser consciente não depende só de ter o conhecimento disponível. Pois pior do que ter não ter noção ao que podemos ter, saber, e aplicar na prática, de quem podemos chegar a ser, é ter diante de si as ferramentas de mudança e não reconhecê-las. É lamentável ser responsável por saber como se pode começar a mudar e não agir, não querer. Muitos ficam inertes porque acreditam que suas ações sozinhas não movimentam o mundo. Mal sabem que é necessário começar por ações simples, de cada um”
Enfim, finalizo o artigo tradicionalmente assumindo aquelas idéias banalizadas de que é importante não jogarmos o lixo do carro pela janela em qualquer lugar ou evitarmos o desperdício de água, porque sabemos que vai prejudicar as vidas futuras. Que são atitudes simples como estas que se referem ao sentido de ser um cidadão consciente, justo, e responsável pelo rumo de nosso planeta.
Terminei tudo e me senti patética. Porque sinceramente, tem se tornado estranho para mim não dizer que discordo dessa papagaiada toda de ‘aldeia global’. Quanto tempo tem que o homem discute sobre essa cidadania e essa vontade de servir a todos em prol de todos, numa afamada mas ilusória solidariedade triunfante e nada de tão revolucionário acontece? Eu tenho pressa? Não, não é isso. Ainda não me esqueço da frase de Edgar Morin, que a “desumanidade faz parte da humanidade”, que por mais que abrandemos as tragédias e as crueldades humanas, elas vão continuar existindo porque, complementando por Luis Felipe Ponde, o ser humano é trágico e vive em ruínas. Eu não queria ser pessimista mas admito que são os paradigmas que me tem feito pensar assim. Porque o homem não quer aceitar esse seu lado xoxo?
Estou louca para ler os livros sobre o homens insuficiente, aprender sobre a ‘era do vazio’, e vem as faculdades ensinando apenas como o homem deve ser um cidadão ético e os jornais dizendo que a legalidade e reconhecimento da união entre casais do mesmo sexo é um avanço na luta dos direitos e da dignidade humana. Não que não seja importante entendermos o que temos a ganhar com a hipótese da cidadania universal e com a convivência de relacionamentos homossexuais para atenuarmos todos os tipos de preconceitos. O que me irrita são os holofotes nisso tudo e a omissão a outras coisas, tão importantes quanto. Tudo bem pregar que temos que ser mais tolerantes, mas porque então não nos indignamos com a intolerância religiosa e pregamos em Lei que todo homem tem direito a ser ateu ou agnóstico também? Ah tah, a sociedade ainda não está preparada para isso? Temos que estar preparados então? Quando estaremos? As coisas acontecem sendo apenas conseqüências da vida?
Se eu fosse outra pessoa, pensaria que não é possível tanta contradição numa cabeça só!! As vezes eu não me agüento... e falta alguém pra conversar comigo! Mas depois do sentimento de ridículo exagero, veio meu ego e me disse: “Uau, você está no caminho certo!”. (Afinal, vencer, vencer sempre continua sendo a ditadura do homem de sempre). Adoro ser quem eu sou: um ser pensante crítico, desejante, em busca, sim de alguma coisa!Quem sabe dum outro mundo possível! Ou desse mesmo... mas sempre em busca!
" Por fecharem os olhos e dormirem, por consentirem ser enganados pelas aparências, os homens em toda a parte estabelecem e confinam as suas vidas diárias de rotina e hábito em cima de fundações puramente ilusórias. "


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