“Nas nossas vidas, temos nos maravilhado.
Os biólogos tem investigado coisas cada vez menores.
E os astrônomos, coisas cada vez mais distantes.
Nas sombras do céu noturno, voltando no tempo e no espaço.
Mas talvez, o mais misterioso de tudo
Não é o menor nem o grande
Somos nós, bem aqui.
Poderíamos nos reconhecer?
E se reconhecêssemos, conheceríamos a nós mesmos?
O que diríamos a nós mesmos?
O que aprenderíamos com nós mesmos?
O que realmente gostaríamos de ver de pudéssemos ficar diante
de nós e
olhar para nós mesmos?”
O filme Another Earth surpreendeu-me em alguns aspectos.
Há certa angústia e tristeza estampada no ar sim. Nada que
se compare, a meu ver, com ‘Melancolia’ de Lars Von Trier. É um azul mais ‘Bleu’,
a La Kieslowski. Que incomoda.
A falta de sentido em viver, por sua vez, é mais cotidiana, não impactada
apenas pela presença de Terra 2, que se torna figurante, e muito mais pelos
erros e arrependimentos de cada um. Talvez pela ‘sorte’ individual dos
acontecimentos na vida. Mais realista. Pois “Tenha mais sorte da próxima vez é que Rodha diria
a si mesma se ‘se reencontra-se’. Ciente, talvez, do acaso?
O que me comoveu em lágrimas foi a cena de Rhoda escrever
nas mãos do faxineiro que optou por ser ‘cego e surdo’, derrubando desinfetante nos próprios olhos e ouvidos, pois estava cansando de se encontrar a todo momento. A cena mostra que há outras
maneiras de sentir, perceber a si e aos outros a sua volta.
E o fim, me trouxe uma sensação estranha.
Como se todos tivessem que se enfrentar em algum momento.
Será que eu gostaria de mim, se fosse outra pessoa? Me
odiaria mais ou amaria mais? Chegaria a me admirar? Ou sem o ego, enxergaria mais os defeitos? O que significaria ser 'eu'?
A teoria do espelho quebrado, onde a réplica da Terra, no momento em que se viu ela pela primeira vez, interromper a 'simultaneidade' é uma ficção de mundos paralelos muito interessante!
O filme é reflexivo, faz pensar várias coisas... Eu fiquei imaginando até coisas que não fazem parte da trama. Por exemplo.. Mesmo que tenhamos culpa em algo, mudar-se para outro lugar não necessariamente apaga as memórias. Outra questão é.. Quais os motivos que nos levam a envolver-se com outras pessoas? No caso de Rhoda, foi por conta muito mais de amparar um outro que se prejudicou ou a si mesma?
Enfim, recomendo!



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