domingo, 10 de junho de 2012

A alma, amor, entrelaçada dos indescritíveis



"E por que haverias de querer minha alma na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas, obscenas,
porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo, prazer, lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando Aquele Outro.
E te repito: por que haverias de querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me."

"O desejo é eternidade porque o instante arde interminável" 

" E ardes como desejei arder de santidade"

"Que este amor não me cegue nem me siga...
Que este amor só me veja de partida"

"Vontade de não dar sentido algum às coisas, às palavras e à própria vida.
Assim como é a vida na realidade ausente de sentido". 

"Quem és? Pergunto ao desejo.
Respondeu: lava. Depois pó. Depois nada." 

"Extasiada, fodo contigo.
Ao invés de ganir, diante do nada."


"Ver-te. Tocar-te. Que fulgor de máscaras. Que desenhos e rictus na tua cara Como os frisos veementes dos tapetes antigos. Que sombrio te tornas se repito O sinuoso caminho que persigo: um desejo Sem dono, um adorar-te vívido mas livre. E que escura me faço se abocanhas de mim Palavras e resíduos. Me vêm fomes Agonias de grandes espessuras, embaçadas luas Facas, tempestade. Ver-te. Tocar-te. Cordura. Crueldade."



"Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca Austera. Toma-me AGORA, ANTES Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes Da morte, amor, da minha morte, toma-me Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute Em cadência minha escura agonia. Tempo do corpo este tempo, da fome Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento, Um sol de diamante alimentando o ventre, O leite da tua carne, a minha Fugidia. E sobre nós este tempo futuro urdindo Urdindo a grande teia. Sobre nós a vida A vida se derramando. Cíclica. Escorrendo. Te descobres vivo sob um jogo novo. Te ordenas. E eu deliquescida: amor, amor, Antes do muro, antes da terra, devo Devo gritar a minha palavra, uma encantada Ilharga Na cálida textura de um rochedo. Devo gritar Digo para mim mesma. Mas ao teu lado me estendo Imensa. De púrpura. De prata. De delicadeza"


CRÉDITOS:
Poemas de Hilda Hist 
Imagens: Ruslan Robanov

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