“Demócrito e Heráclito eram dois
filósofos. O primeiro, achando que a condição humana é vã e ridícula,
apresentava-se sempre em público a rir e motejar. Heráclito, tomado de piedade
por essa mesma humanidade, andava permanentemente triste e de lágrimas nos olhos
(...) Prefiro o primeiro, não porque seja mais agradável rir do que chorar; mas
porque sua atitude é testemunha de seu desdém, porque ela nos condena mais do
que a outra e acho que nunca podemos ser desprezados quanto o merecemos (...) Penso
que há em nós mais vaidade do que infelicidade, mais tolice do que malícia,
mais vazio do que maldade, mais vileza do que miséria”. (Montaigne, em
Ensaios).
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