Mais uma vez, um filme que entra pra galeria dos
filmes que me marcam.
Não só porque filmes sobre envolvimentos afetivos
dizem mais pra mim do que qualquer outro.
Não só porque é dó tipo realista, sem final meloso,
sobre histórias que realmente poderiam ter sido a minha, a sua, a de qualquer um de nós.
Mas também, e principalmente porque é possível se
identificar com /condenar Adéle e Emma: amá-las e odiá-las simultaneamente, e é possível enxergar o ranso da
moral em algumas cenas.
Amei Adéle por sua espontaneidade, por sua vontade
de amar sem falsidades, por sua entrega, mas a odiei pelo mesmo motivo, por ser
vulnerável ao que sente, por estar frágil ao apego que criou por outra pessoa, por
deixar sucumbir-se emocionalmente diante da traição.
Gostei de Emma, por sua independência, por sua
sedução, mesmo sabendo que está é uma máscara, e por isso, a repudio, porque ao
final das contas, ela foi mordaz ao recriminar Adéle de traidora sendo que fez
isso primeiro. Me pareceu hipócrita na cena em que chama Adéle de puta... como
a mais libertina contraditoriamente é a mais presa às convenções sociais? Presa à monogamia e a relação de
exclusividade e posse. O “não posso” na cena final é uma faca em meu
coração: justamente porque a questão do
deixar levar-se no momento ou preferir que isto não interfira numa outra relação
meche comigo. E quando o filme me deixa com essa sensação de dúvida que a personagem
pode estar certa e pode estar errada (justamente porque depende do ângulo de
vista) eu adoro... Emma tem o direito de
seguir em outra relação. E o filme te deixa em dúvida porque Emma faz isso...
sensacional!!!
Independente de ser um filme sobre lésbicas, a
questão que fica pra mim é novamente... O peso e a leveza das relações
humanas... O quanto nos envolvemos por
acaso, por desejo, o quanto dói uma separação pra um, o quanto é cada um e só cada um sozinho
que vai ter que lidar com seus sentimentos de rejeição, e que as relações podem
sempre significar uma coisa pra um, e uma coisa pra outro... Novamente, o efêmero... e a leveza e o peso...
da condição humana!
Clap Clap Clap!!!! Palmas para Abdellatif Kechine e
para as atrizes Léa Seydoux e Adéle Exarchopoulos!
LINDAS!!!

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