sábado, 22 de fevereiro de 2014

Azul é a cor mais Quente



Mais uma vez, um filme que entra pra galeria dos filmes que me marcam.
Não só porque filmes sobre envolvimentos afetivos dizem mais pra mim do que qualquer outro.
Não só porque é dó tipo realista, sem final meloso, sobre histórias que realmente poderiam ter sido a minha, a sua, a de qualquer um de nós. 
Mas também, e principalmente porque é possível se identificar com /condenar Adéle  e Emma: amá-las e odiá-las simultaneamente, e é possível enxergar o ranso da moral em algumas cenas.
Amei Adéle por sua espontaneidade, por sua vontade de amar sem falsidades, por sua entrega, mas a odiei pelo mesmo motivo, por ser vulnerável ao que sente, por estar frágil ao apego que criou por outra pessoa, por deixar sucumbir-se emocionalmente diante da traição.  
Gostei de Emma, por sua independência, por sua sedução, mesmo sabendo que está é uma máscara, e por isso, a repudio, porque ao final das contas, ela foi mordaz ao recriminar Adéle de traidora sendo que fez isso primeiro. Me pareceu hipócrita na cena em que chama Adéle de puta... como a mais libertina contraditoriamente é a mais presa às convenções sociais?  Presa à monogamia e a relação de exclusividade e posse. O “não posso” na cena final é uma faca em meu coração:  justamente porque a questão do deixar levar-se no momento ou preferir que isto não interfira numa outra relação meche comigo. E quando o filme me deixa com essa sensação de dúvida que a personagem pode estar certa e pode estar errada (justamente porque depende do ângulo de vista) eu adoro...  Emma tem o direito de seguir em outra relação. E o filme te deixa em dúvida porque Emma faz isso... sensacional!!!
Independente de ser um filme sobre lésbicas, a questão que fica pra mim é novamente... O peso e a leveza das relações humanas...  O quanto nos envolvemos por acaso, por desejo, o quanto dói uma separação pra um, o quanto é cada um e só cada um sozinho que vai ter que lidar com seus sentimentos de rejeição, e que as relações podem sempre significar uma coisa pra um, e uma coisa pra outro...   Novamente, o efêmero... e a leveza e o peso... da condição humana!
Clap Clap Clap!!!! Palmas para Abdellatif Kechine e para as atrizes Léa Seydoux e Adéle Exarchopoulos! 

 LINDAS!!!

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