Sim. À primeira
vista, e toque de pele, é o sexo que fala mais alto. A carne. Por toda parte, o sexo está lá. Em algum canto
da sociedade, está acontecendo. Mesmo que muitos queiram tapar com cortinas, fechar seus olhos, por
achar ‘pecaminoso’.
Mas não,
talvez não seja o sexo em si que Ninfomaníaca proclame como o mais escandaloso.
Não é o toque esfregado e violento que perturba, pois o que está por trás do
sexo, pulsando na ferida da buceta, é a
busca incessante pelo prazer.
Joe quer
preencher todos os seus buracos abertos e é a partir desse jargão que o diretor
Lar Vons Trier faz dialogar o vazio subjetivo da personagem (que no fundo é de
todo ser humano) com os olhares e julgamentos da realidade que aos poucos a transforma.
O
sensacional é ver Joe se indagando durante a narrativa toda. Primeiramente, ela
se aceita, se enxerga como aquela que é dominada pelo próprio corpo, instintiva
e naturalmente. Mas correr atrás desse objetivo, ela não sabe porque, não resolve. Ainda na primeira etapa,
se questiona se o que não falta para ela seria um ingrediente a mais, o amor.
Mas segue anestesiada e se dá conta na segunda parte de que para a mulher, lhe
escapa muitas vezes o controle de ‘quando gozar’. O filme faz uma volta em si
mesmo, devolvendo para Joe (para nós,
outra vez) que o amor não existe, deve ser esquecido. Mas que a moralidade, sim, essa, é viva e
cruel conosco. Nos condena. O filme se
abre, dizendo que todos de alguma maneira, delirariam de prazer se soubessem
como, mas que nossos mais perversos desejos estão recalcados. Joe passa a achar
então que cada um então, deveria descobrir aquilo que lhe leva ao orgasmos e se
dedicar à isso. Mas a moral hipócrita retorna
mais forte.. Quando, num lindo eterno retorno, à suspeita sobre o amor à
Jerome, ou apenas ciúme, traz a Joe outra alternativa possível: a de controlar
seus impulsos, seja de matar ou de transar. E Joe tenta escapar mas a fuga é em vão, o tiro sai pela culatra.
Justamente quando troca seu vício pela chance de se redimir por não ser uma
assassina, eis que Seligman revela tudo que é.
Simbolicamente, na útilma cena, Seligman representa muitas coisas. Que
no fundo todos tem desejo e vão reclamar seu quinhão um dia. E nesse instante
que Joe, se liberta, rompe com esse poder masculino sobre o feminino, será que
ela não se culpará por ter aprendido a deslizar a arma e apertar o gatilho? Enfim, o
filme parecer querer mostrar que o tormento inerente à vida ‘pensante’ sempre
nos acompanhará e que nunca nos aliviaremos, a não ser por alguns segundos....
Até porque o filme encerra com a música Hey Joe, nos crédito, absurdamente
linda, na voz de Charlotee... dizendo literalmente na letra... “Ei Joe, diga-me Para onde você vai fugir agora? Para onde você vai fugir?”
Triste, Fulguroso, Denso, Intragável como a realidade é... Humano!! Impressionante! Sensacional...
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