sábado, 15 de março de 2014

Ninfomaníaca - A mulher encurralada



Sim. À primeira vista, e toque de pele, é o sexo que fala mais alto. A carne.  Por toda parte, o sexo está lá. Em algum canto da sociedade, está acontecendo. Mesmo que muitos queiram tapar com cortinas, fechar seus olhos, por achar ‘pecaminoso’.
Mas não, talvez não seja o sexo em si que Ninfomaníaca proclame como o mais escandaloso. Não é o toque esfregado e violento que perturba, pois o que está por trás do sexo, pulsando na ferida da buceta,  é a busca incessante pelo prazer.
Joe quer preencher todos os seus buracos abertos e é a partir desse jargão que o diretor Lar Vons Trier faz dialogar o vazio subjetivo da personagem (que no fundo é de todo ser humano) com os olhares e julgamentos da realidade que aos poucos a transforma.
O sensacional é ver Joe se indagando durante a narrativa toda. Primeiramente, ela se aceita, se enxerga como aquela que é dominada pelo próprio corpo, instintiva e naturalmente. Mas correr atrás desse objetivo, ela não sabe porque, não resolve.  Ainda na primeira etapa, se questiona se o que não falta para ela seria um ingrediente a mais, o amor. Mas segue anestesiada e se dá conta na segunda parte de que para a mulher, lhe escapa muitas vezes o controle de ‘quando gozar’. O filme faz uma volta em si mesmo,  devolvendo para Joe (para nós, outra vez) que o amor não existe, deve ser esquecido.  Mas que a moralidade, sim, essa, é viva e cruel conosco.  Nos condena. O filme se abre, dizendo que todos de alguma maneira, delirariam de prazer se soubessem como, mas que nossos mais perversos desejos estão recalcados. Joe passa a achar então que cada um então, deveria descobrir aquilo que lhe leva ao orgasmos e se dedicar à isso.  Mas a moral hipócrita retorna mais forte.. Quando, num lindo eterno retorno, à suspeita sobre o amor à Jerome, ou apenas ciúme, traz a Joe outra alternativa possível: a de controlar seus impulsos, seja de matar ou de transar. E Joe tenta escapar  mas a fuga é em vão, o tiro sai pela culatra. Justamente quando troca seu vício pela chance de se redimir por não ser uma assassina, eis que Seligman revela tudo que é.  Simbolicamente, na útilma cena, Seligman representa muitas coisas. Que no fundo todos tem desejo e vão reclamar seu quinhão um dia. E nesse instante que Joe, se liberta, rompe com esse poder masculino sobre o feminino, será que ela não se culpará por ter aprendido a deslizar a arma e apertar o gatilho? Enfim, o filme parecer querer mostrar que o tormento inerente à vida ‘pensante’ sempre nos acompanhará e que nunca nos aliviaremos, a não ser por alguns segundos.... Até porque o filme encerra com a música Hey Joe, nos crédito, absurdamente linda, na voz de Charlotee... dizendo literalmente na letra... “Ei Joe, diga-me Para onde você vai fugir agora? Para onde você vai fugir?”
Triste, Fulguroso, Denso, Intragável como a realidade é... Humano!! Impressionante! Sensacional...


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