Um projeto modesto e ambicioso, como o próprio autor supõe, o livro “Aprender a Viver – Filosofia para os novos tempos” cumpre, com a minha palavra endossada, os seus objetivos de ampliar horizontes e apresentar seu conteúdo sem caricaturar a filosofia. Nem demasiadamente denso tampouco raso, Luc Ferry enraíza os temas na margem exata, sem ser tão profundo muito menos superficial.
“Aprender a viver, aprender a não mais temer em vão as diferente faces da morte, ou simplesmente, a superar a banalidade da vida cotidiana, o tédio, o tempo que passa, já era o principal objetivo das escolas da Antiguidade Grega (...) As grandes respostas filosóficas dadas desde os primórdios à interrogação sobre como se aprende a viver continuam presentes”.
Para expor sua opinião a partir de uma análise da temática, o escritor francês nos faz uma promessa em seu Capitulo n.01: Diz que vai nos contar a história da filosofia, ou pelo menos, os cinco maiores sistemas de pensamento, visões de mundo, segundo ele.
E acredite, em pouco mais de 200 páginas, Ferry consegue nos demonstrar aspectos fundamentais das doutrinas dos gregos estóicos (Capitulo 2), dos cristãos ou religiosos ortodoxos (Capitulo 3); dos filósofos modernos, cientificistas ou humanistas (Rousseau, Sartre, Kant e Descartes) (Capítulo 4); dos pós-modernos através das idéias Marxistas, Freudianas e Nietzscheanas (Capítulo 5); e por fim, dos pensadores contemporâneos e desconstrucionistas (algumas reformulações a partir de Heidegger e outros resgates ou ‘substituições às avessas’ e as próprias considerações do autor) (Capítulo 6).
A linha de raciocínio mestra com que os tópicos e sub-tópicos são conectados e ultrapassados (e eu acho que na mais perfeita síntese a partir da análise das teses e antíteses, sem julgar ou valorar as questões, apenas apresentando-as) é a reflexão exposta no primeiro capítulo. Que, a meu ver, se revela como um apetitoso aperitivo do assunto para todo o subseqüente prato cheio!
Para o autor, a questão central de toda filosofia (que não é uma simples reflexão crítica ou teoria da argumentação como muitos a reduzem a tal) é a afirmativa da finitude humana e sua conseqüente busca por salvação: Do fato de que o homem é mortal e essa condição o inquieta, surgem respostas de como podemos ou devemos conduzir melhor nossa existência. Das filosofias antigas às atuais, é provável que muitas delas ou quase todas relatem sobre o que desejamos acima de tudo: “Não queremos ficar sozinhos, queremos ser compreendidos, amados, não queremos morrer nem que nossos próximos morram”. Mas a existência real frusta nossas expectativas e tentamos incessantemente contornar essas sensações desagradáveis. Tentamos nos salvar de todo tipo de morte / perdas / irreversibilidades que nos atormenta.
Luc Ferry então contrasta as filosofias e as religiões como dois modos opostos de abordar a mesma questão, a da ‘salvação’ (Superação). A filosofia tem em comum com as religiões a convicção de que a angústia sobre as mortes (perdas) impede de viver bem; ela nos impede não apenas de ser mais felizes, satisfeitos, mas também de ser livres. A diferença entre elas é que as religiões são doutrinas de salvação por um Outro (Deus) e as filosofias são doutrinas de salvação por si mesmo. Pela prática da fé, na esperança de um salvador pré-destinado, os crentes se salvam confortando-se com a promessa do alcance de acesso a uma outra eternidade talvez com menos dores pela a qual valeria a pena suportar essa vida. Pelo uso da razão, os descrentes preferem a lucidez e a liberdade, e procuram vencer seus medos na própria realidade a qual passam seu tempo de vida, talvez a única existente para a consciência, sem a ajuda de qualquer Deus.
Só até essa breve abordagem do conteúdo, eu já tinha admirado o livro. Mas procurei acompanhar as linhas com olhos de quem não vai se deixar influenciar pelas primeiras impressões. E o que eu tenho a dizer agora? Aprendi muitas pequenas coisas com esta obra. Tanto que eu não consigo contar tudo de imediato assim, de mão beijada. Claro que Sil Drabeski tem que fazer um suspense! Rs Rs Rs...
Aguardem os próximos posts, pincelarei meus comentários sobre cada capítulo!
Só adianto que a partir deste livro, algumas definições que eu já possuía se mantiveram (a respeito da falta de sentido e o que fazer com isso), constatei que eu sei quase nada sobre Nietzsche de modo geral, e que ainda estou sedimentando meu olhar sobre a conclusão do autor. Ferry parece ir tão bem no todo e chega ao final com algumas conclusões simplistas, duvidosas, não achei ainda o ‘adjetivo’ correto. Ou talvez ele apenas retoma um caminho, assume orientações as quais eu não sei direito se concordo ou discordo. Talvez eu permaneça na linha radical anterior, quem sabe meio nietzscheana demais (mesmo, repito, não entendendo totalmente os princípios norteadores do mestre de Zaratustra!).
Quem quiser já acompanhar um resumo interessante, segue este: http://criticanarede.com/html/lucferry.html Acredito que o mesmo dá conta do recado de sintetizá-lo! Porque eu espero me concentrar, a seguir, nas minhas divagações pertinentes!
Quem quiser já acompanhar um resumo interessante, segue este: http://criticanarede.com/html/lucferry.html Acredito que o mesmo dá conta do recado de sintetizá-lo! Porque eu espero me concentrar, a seguir, nas minhas divagações pertinentes!

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