quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Sobre o estilo trip-hop, indicações de bandas do gênero e uma track list pra conhecer

Desde músicas consideradas melancólicas e tristes, a músicas relativamente agitadas e contagiantes que te transportam para outras dimensões e a outras portas da percepção até a classificação de um som agradável e com ritmo sensual para fazer strip-tease e sexo, talvez o trip-hop seja o gênero musical com as mais variadas interpretações possíveis.

Se alguém que não conhece ouvir pela primeira vez poderá arriscar que se trata de um estilo underground, alternativo, que mistura soul, jazz e hip hop. E que nela há ainda a batida da música eletrônica, só que mais leve e não repetitiva e monótona, pois a impressão que se tem aos ouvidos é que se está apreciando uma harmonia acústica só que instável, bela, tão desconcertante e surpreendente quanto à incerteza do mundo urbano e moderno mesclado por vozes femininas suaves. É como sair das pistas de Psytrance ou de uma Techno Dance, mantendo o lado industrial, a bateria eletrônica e o contra baixo mas deixando por ora as batidas altas e pesadas do Drum and Bass, e ir caminhando para uma House Music mais easy, mais voltada para a vertente Deep House, para um som do tipo Chillout, produzido especialmente para ser ouvido relaxando no sofá, num esquema meio lounge e introspectivo.

Parece uma combinação estranha de arranjos sofisticados, efeitos de estúdios, acordes sutis de vocais, ora sussurrantes, ora intensos, mas de maneira bem construída e gostosa de se ouvir. Justamente, é bem por aí. Hoje o mais próximo de uma melhor definição técnica fechada é dizer que o trip-hop é um sub-gênero de música eletrônica, do tipo downtempo (lenta), uma melodia progressiva ou gradual marcada pela batida desacelerada (menos de 120 bpm). E que outro detalhe que caracteriza os seus artistas são o uso de instrumentos convencionais e de samples, vocais curtos.  De grosso modo, poderia ser enunciado como um eletro-pop ambiental. Mas isto, aos adeptos e fãs do conceito, seria resumir demais um gênero tão rico e diversificado. Pois os apaixonados como eu pelo trip-hop estão sempre atentos aos elementos básicos das composições, reconhecem um padrão, uma base de elementos específicos, porém entendem que devido a suas diversas influências, o estilo vem se alastrando nas mais variadas fusões.

Portanto, é compreensível que o trip-hop seja tão único no sentido de não haver nada igual e não seja tão facilmente reconhecível ou comparável. Na sua proposta de origem consta a intenção do experimentalismo, da reinvenção e inovação constante. E o fato de ser pouco conhecido tem também a ver com sua história recente, em vista de outros formatos musicais. Foram cantores e grupos britânicos que a partir de 1980 resolveram brincar e cruzar o acid jazz, o funk europeu, o dub, rock, hip hop e soul, e as batidas desaceleradas criando essa ‘convergência’ musical. A primeira banda que aparece com as nuances do trip-hop é a “The Wild Bunch”, da cidade de Bristol, na Inglaterra (por isso o estilo também é conhecido como Bristol Music). Alguns integrantes dessa banda em seguida formaram o grupo Massive Attack, atualmente deflagrado como o primeiro representante da espécie.  Mas os anos que consagram mesmo o nascimento ou o batizado do trip-hop foram os de 1990 a 1995.  Em 1991 veio o álbum Blue Lines do Massive Attack. Em 1994 a discografia de Portishead, por sua vez, com a bela voz da Bett Gibbons e com a parceria de Geoff Barrow que também fez parte da Massive Attack fez enfim expandir mundialmente a atmosfera meio grounge, meio noir desse som tão peculiar. E por volta de 1995 o álbum Maxinquaye do Tricky foi divulgado pela revista Mixmag que associou o nome trip-hop ao estilo que despontava no cenário da época. E o sucesso teve um up até 1998, com Moloko, Morcheeba, Supreme Beings of Leisure. E houve um revival a partir de 2003. Depois deles foram emergindo outras ramificações.

Enfim, é importante conhecer a história do trip hop, pra elucidar sua essência e sua sonoridade tão marcante. Entender que ele surge no contexto da música experimental na qual a hibridez é o símbolo faz vislumbrar porque o estilo é múltiplo. O Experimental utiliza e faz composições dos mais diferentes elementos advindos de qualquer estilo musical. Assim, “House, funk, soul, jazz, r&b, rap, Hip-Hop, raggae, ethereal, minimal, funk, acid, trance – todos esses gêneros e mais alguns outros são fontes nas quais a Bristol music bebe”.  Por isso que dizem que nunca dá para adivinhar o que vai vir num próximo álbum de trip hop: é sempre uma linda surpresa.

Outro aspecto a assinalar é que a própria palavra trip hop é uma clara justaposição da parte hop do hip-hop e de trip, que significa viagem em inglês. A idéia era essa mesma: sons fluídos com influências a partir do hip-hop e do jazz viajante.

Não sabendo onde começa e onde termina os “Jungles”, absorvendo várias ligações, é assim que o trip hop pode ser caracterizado de inúmeras maneiras. Por isso que há coerência na afirmativa de que são produções musicais carregadas de sentimentos e sentidos complexos. Há inúmeras inter-cambiações dentro do próprio sub-gênero. Há quem vai ouvir e captar o aspecto meio apocalíptico, meio sombrio, nostálgico e gótico. Outras bandas ressaltam os hits mais industriais e futuristas, que soam para as canções mais hipnóticas associadas ao jeito de fazer música da vertente Acid house que exatamente destaca o efeito do consumo de drogas estimulantes.  Algumas versões de trip hop também flertam com facetas da Shymphonic Music, apresentando uma conotação mais clássica, com notas de orquestras, notas de saxofone e outras remixagens.  E sem falar na mais presente intenção erótica e romântica de algumas letras melódicas, para ouvir mesmo debaixo dos lençóis, de preferência acompanhado de alguém.  Outras letras ainda apontam para a crueza das emoções, para a poesia e a profundeza de alguns instantes, revelando desde o êxtase até à depressão.  Extremamente humano. Uma música com identidade. Secretamente intelectual. Trip Hop é denso e instigante.  Sempre marcante. Inigualável.

Segue a lista das bandas Best-sellers de trip-hop, para que vocês sejam penetrados por sua confluência lírica, mágica e revolucionária: Portishead, Tricky e Massive Attack (as bandas originárias do estilo); Morcheeba, Garbage, Hooverphonic, Moloko, 8mm, Smoke City, Lamb, Archive, Airlock, Mandalay, Lovage, Air, Zero 7, Röyksopp, Télépopmusik, Groove Armada, Beautys Confusions, Lunascape, Elsiane, Pati Yang, Anja Garbarek, Goldfrapp, Halou, Flunk, Esthero.

Outras magnificências: 21 Hertz, Kosheen, Dot Allison, FKA Twigs, Supreme Beings of Leisure, Blue Fundation, Lovespirals, Bonobo, Martina Topley Bird, Blue Fundation, Rekevin, Feist, Olive, Thievery Corporation, Morphologue, Laika, Karmacoda, Iuno, Silk Demise, Mono, Puracane, Gotam Project, Dj Shadow, Dj Krush, Dido, Emiliana Torrini, Sia, Unkle, Moby, Kasabian, Amon Tobin, Alpha, Doctor Flake, etc.

Até mesmo The Cranberries, Enia, Bjork, Radiohead, Travis e Gorillaz também foram influenciados pelo Trip-Hop. E há brasileiros, como Jair Oliveira, Katia B, que atualmente ousam emprestar o sotaque de nosso país a algumas músicas que arranham um som brasileiro próximo do estilo.

Mas aí ficaria difícil mesmo distinguir tantas diferenciações. Eu, tenho minhas preferências, que são as vertentes que levam mais aos vocais sussurrantes das divas, como das artistas da banda Flunk, e a Dot Alisson... entre tantas.

Aos iniciantes, vou presentear com um set list que está em construção, mas já contempla um pouco de tudo, e as músicas mais ouvidas por mim. 
SET LIST DREAM’S DELUXE EDITION by SIL DSK:

Apague a luz, feche os olhos e ouça com prazer!!! 

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