Não sou militante, não sou
ativista. Não me considero uma esquerdista extrema. E também não gosto destes
rótulos. Mas olho para o lado da
revolução. Por ter estudado em uma universidade federal, aprendi a olhar com
mais atenção e crítica àqueles que querem nos dominar. Hoje para muitos é difícil escolher o voto
porque o foco das eleições recai sobre quem a mídia e o Ibope apontam como
principais candidatos-concorrentes. Culpa
do próprio sistema político que permite que a campanha tenha financiamentos
privados e bilionários destinados a quem as empreiteiras e os empresários
querem perpetuar no Congresso. O desinteresse por política aumenta à medida que
a gente escuta baboseiras e só vê contra-ataques dos presidenciáveis. E então alguns eleitores acabam escolhendo ‘o
menos pior’. E assim a ‘cúpula’ dos
mesmos continua lá nas bancadas, se re-elegendo.
Entendo muito pouco de economia,
dos gastos orçamentários, de recolhimento de impostos, de neoliberalismo,
neodesenvolvimentismo, protecionismo e outros ‘ismos’ políticos. Nem sequer do esquema
do ‘mensalão’ e do furo da Petrobrás eu sei toda a história. Também não faço questão de ir à fundo nesses
assuntos. Justamente por isso, acho que quem me representa é que deve saber muito
bem disso.
Como psicóloga, sou a favor dos
direitos humanos e daquilo que favorece o bem estar social comum à população. Diante das pressões atuais, acho que questões
que envolvem a moral, como marco civil na internet, liberdade de expressão, legalização
de drogas e do aborto, formas de acesso à educação e à moradia, justiça no
trabalho, estado laico, entre outras coisas que afetam diretamente à todos,
deveriam ser levados em consideração com mais seriedade.
Porém, nas atuais circunstâncias,
não defino o voto em alguém que tem isso em pauta mas que não traz um panorama
para discutir e avançar no que queremos a respeito de vários temas, que vai da distribuição de
renda, desburocratização do Estado, Intervenção ou não do Governo, regulações
de mercado nacional e internacional, estatizações, etc. Ou seja, penso que não
dá pra esquecer na hora de decidir o voto que o que pesa hoje em dia é a forma
como a economia está organizada, se na prática isso vai gerar mais ou menos
inflação e impostos, se teremos mais empregos ou outras formas de se beneficiar
no capitalismo, mais industrialização ou não e o que isso acarreta de imediato
para o desenvolvimento do país, mais investimentos aplicados de fato em saúde e
educação e como. No geral, para onde a grana está indo, quem está sendo
favorecido com isso, se a corrupção está sendo fiscalizada... Mas como ter
certeza disso e reconhecer a verdade? Todos os políticos não contemplam em suas
falas a mesma coisa? O difícil é enxergar a diferença entre eles nessa
miríade... Não é fácil distingui-los entre si nem de que lado estão. Os debates pouco ajudam para conseguirmos ter
uma visão mais ampla das propostas conjuntas de cada um, pois só trazem pontos
esmiuçados que dificultam a concluir um raciocínio geral.
Por outro lado, o contrário, políticos
que focam muito mais nos rumos econômicos mas sequer levantam alguma defesa a
respeito das temáticas sociais tão importantes, deveriam ser desacreditados.
Como não ver que o fundamentalismo religioso cresce, por exemplo, e não
procurar alternativas para minimizar isso?
Como não dar apoio para grupos que estão concentrados em resolver
problemas ambientais e de vítimas e comunidades excluídas? Entre tantas outras
perguntas que estão à tona no cenário da juventude e da modernidade.
O que quero dizer é que no
processo que eu fiz para votar tentei por os candidatos numa balança em equilíbrio,
que contemplasse esse lado econômico tão urgente por melhorias e esse lado moral/social. Não que uma coisa seja separada da outra
e que haja focos totalmente extremos.
Mas há disparidades e prioridades. E parece mais tentador para alguns assumir
alguma frase aqui e ali do que realmente refletir, fazer comparações.
Confesso que não conheço
completamente nem a história de cada um dos candidatos que pesquisei e nem seus
projetos como um todo. Mas pude decidir baseado no que captei de suas intenções
gerais diante de tudo que escrevi acima. De acordo com o que vão poder fazer de
imediato na realidade atual e a longo prazo. Dessa forma meus votos nesta
eleição serão para os que estão na luta em favor de grandes reformas e estão se
preparando pra isso. Não quero o conservadorismo de quem sempre governou o
país, e principalmente dos coronéis do Paraná. Eles vão ganhar, já sabemos praticamente como
as coisas vão continuar acontecendo. Mas meu voto não será para eles. Vamos
parar de insistir nos ‘menos piores’ e relembrar que há outras alternativas que
carecem apenas de força. Meu voto vai para aqueles que estão plantando outro
tipo de ideais e princípios. Que eu acredito que em longo prazo avançarão! Mesmo
que o partido que votarei não ganhe agora, prefiro ficar do lado daquilo que
acredito. Se para alguns é utópico, para outros é a esperança que nos move e
não nos deixa esmorecer diante de tantas opções incontroversas, contraditórias,
em nosso país!
Não estou aqui para influenciar
ninguém diretamente, mas considero que meu papel nessa vida é fazer os outros
pensarem... Vote em quem você acredita,
pelo conjunto de idéias e não por uma só, e não num candidato para derrubar outro que
você não quer! Não vou descrever o nome dos
candidatos, mas minhas intenções de voto são em grande parte para os candidatos do partido PSOL.
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