sábado, 4 de outubro de 2014

Eleições 2014 - Definindo meu voto

Não sou militante, não sou ativista. Não me considero uma esquerdista extrema. E também não gosto destes rótulos.  Mas olho para o lado da revolução. Por ter estudado em uma universidade federal, aprendi a olhar com mais atenção e crítica àqueles que querem nos dominar.  Hoje para muitos é difícil escolher o voto porque o foco das eleições recai sobre quem a mídia e o Ibope apontam como principais candidatos-concorrentes.  Culpa do próprio sistema político que permite que a campanha tenha financiamentos privados e bilionários destinados a quem as empreiteiras e os empresários querem perpetuar no Congresso. O desinteresse por política aumenta à medida que a gente escuta baboseiras e só vê contra-ataques dos presidenciáveis.  E então alguns eleitores acabam escolhendo ‘o menos pior’.  E assim a ‘cúpula’ dos mesmos continua lá nas bancadas, se re-elegendo.

Entendo muito pouco de economia, dos gastos orçamentários, de recolhimento de impostos, de neoliberalismo, neodesenvolvimentismo, protecionismo e outros ‘ismos’ políticos. Nem sequer do esquema do ‘mensalão’ e do furo da Petrobrás eu sei toda a história.  Também não faço questão de ir à fundo nesses assuntos. Justamente por isso, acho que quem me representa é que deve saber muito bem disso.

Como psicóloga, sou a favor dos direitos humanos e daquilo que favorece o bem estar social comum à população.  Diante das pressões atuais, acho que questões que envolvem a moral, como marco civil na internet, liberdade de expressão, legalização de drogas e do aborto, formas de acesso à educação e à moradia, justiça no trabalho, estado laico, entre outras coisas que afetam diretamente à todos, deveriam ser levados em consideração com mais seriedade.  

Porém, nas atuais circunstâncias, não defino o voto em alguém que tem isso em pauta mas que não traz um panorama para discutir e avançar no que queremos a respeito de  vários temas, que vai da distribuição de renda, desburocratização do Estado, Intervenção ou não do Governo, regulações de mercado nacional e internacional, estatizações, etc. Ou seja, penso que não dá pra esquecer na hora de decidir o voto que o que pesa hoje em dia é a forma como a economia está organizada, se na prática isso vai gerar mais ou menos inflação e impostos, se teremos mais empregos ou outras formas de se beneficiar no capitalismo, mais industrialização ou não e o que isso acarreta de imediato para o desenvolvimento do país, mais investimentos aplicados de fato em saúde e educação e como. No geral, para onde a grana está indo, quem está sendo favorecido com isso, se a corrupção está sendo fiscalizada... Mas como ter certeza disso e reconhecer a verdade? Todos os políticos não contemplam em suas falas a mesma coisa? O difícil é enxergar a diferença entre eles nessa miríade... Não é fácil distingui-los entre si nem de que lado estão.  Os debates pouco ajudam para conseguirmos ter uma visão mais ampla das propostas conjuntas de cada um, pois só trazem pontos esmiuçados que dificultam a concluir um raciocínio geral.

Por outro lado, o contrário, políticos que focam muito mais nos rumos econômicos mas sequer levantam alguma defesa a respeito das temáticas sociais tão importantes, deveriam ser desacreditados. Como não ver que o fundamentalismo religioso cresce, por exemplo, e não procurar alternativas para minimizar isso?  Como não dar apoio para grupos que estão concentrados em resolver problemas ambientais e de vítimas e comunidades excluídas? Entre tantas outras perguntas que estão à tona no cenário da juventude e da modernidade.

O que quero dizer é que no processo que eu fiz para votar tentei por os candidatos numa balança em equilíbrio, que contemplasse esse lado econômico tão urgente por melhorias e esse lado moral/social. Não que uma coisa seja separada da outra e que haja focos totalmente extremos.  Mas há disparidades e prioridades.  E parece mais tentador para alguns assumir alguma frase aqui e ali do que realmente refletir, fazer comparações.

Confesso que não conheço completamente nem a história de cada um dos candidatos que pesquisei e nem seus projetos como um todo. Mas pude decidir baseado no que captei de suas intenções gerais diante de tudo que escrevi acima. De acordo com o que vão poder fazer de imediato na realidade atual e a longo prazo. Dessa forma meus votos nesta eleição serão para os que estão na luta em favor de grandes reformas e estão se preparando pra isso. Não quero o conservadorismo de quem sempre governou o país, e principalmente dos coronéis do Paraná.  Eles vão ganhar, já sabemos praticamente como as coisas vão continuar acontecendo. Mas meu voto não será para eles. Vamos parar de insistir nos ‘menos piores’ e relembrar que há outras alternativas que carecem apenas de força. Meu voto vai para aqueles que estão plantando outro tipo de ideais e princípios. Que eu acredito que em longo prazo avançarão! Mesmo que o partido que votarei não ganhe agora, prefiro ficar do lado daquilo que acredito. Se para alguns é utópico, para outros é a esperança que nos move e não nos deixa esmorecer diante de tantas opções incontroversas, contraditórias, em nosso país!

Não estou aqui para influenciar ninguém diretamente, mas considero que meu papel nessa vida é fazer os outros pensarem...  Vote em quem você acredita, pelo conjunto de idéias e não por uma só,  e não num candidato para derrubar outro que você não quer! Não vou descrever o nome dos candidatos, mas minhas intenções de voto são em grande parte para os candidatos do partido PSOL. 

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