sábado, 12 de novembro de 2011

A fenda

“ Se eu pudesse escolher livremente aquilo em que acredito...


Preferiria acreditar que a Terra é o centro do universo, e não uma parte insignificante dele; preferiria acreditar na  existência de alguma forma de providência que zelasse pelos nosso destinos pessoais e coletivos; preferiria acreditar na perenidade da alma após a morte e na recompensa dos justos e na punição dos atrozes; acreditaria que basta crer na minha liberdade de escolha para que ela de fato exista… E não obstante – será preciso dizer? – não creio. – A lista poderia seguir, mas nada acresecentaria. O fato capital é simples: querer acreditar não basta. Há uma fenda que separa aquilo em que se pode acreditar – o domínio do crível – e aquilo que se tem vontade de acreditar, ou seja, aquilo que se acreditaria, com sinceridade, alegria e boa-fé, se fosse possível. Por mais que isso fira o nosso conforto espiritual ou mortifique as pretensões humanas, o desejo de acreditar não pode subjugar o impulso de investigar e descobrir.” (EDUARDO GIANNETTI - A ILUSÃO DA ALMA)

Essa frase me faz pensar que não dá mais pra acreditar novamente em certas idéias que antes faziam sentido... Me desculpem os que pretendem me subverter a dogmas religiosos e utopias sobre os seres humanos... Parece haver uma fenda mesmo que separa tudo isso... Não há mais volta!!!!Não creio!


"Para mim, o ateísmo não é nem uma conseqüência, nem mesmo um fato novo: existe comigo por instinto. Sou bastante curioso, suficientemente incrédulo, demasiado insolente para contentar-me com uma resposta tão grosseira. Deus é uma resposta rude, uma indelicadeza contra nós pensadores; antes, dizendo-se a verdade, não é senão um tosco empecilho contra nós mesmos"